A China e os Estados Unidos estão em negociações para revitalizar o investimento recíproco, numa preparação para a esperada visita do Presidente norte-americano a Pequim, agendada para o final de março. O jornal de Hong Kong, South China Morning Post, avançou que a assinatura de acordos nesta área pode ser um dos poucos resultados concretos da deslocação, embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada por Pequim.
A incerteza sobre a visita aumentou recentemente, especialmente após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, um país com o qual a China mantém uma relação comercial forte e é o seu maior fornecedor de petróleo. Apesar de ainda não existirem acordos específicos, tanto Pequim como Washington demonstraram interesse em explorar modelos de investimento que incluam empresas conjuntas e acordos de licenciamento, com uma estrutura que minimize a exposição em termos de propriedade intelectual.
Um exemplo citado é o acordo de 2023 entre a Ford e a CATL, uma das maiores fabricantes de baterias para veículos elétricos, que permitiu à Ford licenciar tecnologia de baterias para uso nos EUA. Este modelo pode servir de referência para futuras colaborações entre as duas potências.
No entanto, as negociações não estão isentas de desafios. Os representantes dos EUA têm enfatizado a necessidade de melhorar o acesso ao mercado chinês, onde empresas estrangeiras frequentemente relatam tratamento desigual. Por outro lado, Pequim tem solicitado maior proteção para os seus investimentos, especialmente em face de possíveis perdas e retiradas devido a um aumento do escrutínio e tarifas.
Historicamente, os Estados Unidos têm sido um dos principais destinos do investimento externo chinês, que atingiu um pico de 17 mil milhões de dólares em 2016, mas caiu para cerca de 6,6 mil milhões de dólares em 2024. Por sua vez, o investimento norte-americano na China também sofreu uma queda significativa, com uma redução de 18,5% em 2024, totalizando cerca de 2,7 mil milhões de dólares.
Uma das fontes envolvidas nas negociações indicou que o investimento chinês é bem-vindo, desde que ocorra em setores não sensíveis. Contudo, para que isso aconteça, será necessário “mudar a narrativa” e suavizar o discurso sobre a “ameaça chinesa” que prevalece nos Estados Unidos.
Na semana passada, o ministério do Comércio chinês anunciou uma nova ronda de negociações comerciais com Washington. Embora os detalhes sobre a data e o local ainda não tenham sido divulgados, espera-se que estas conversações sirvam como uma preparação para a visita de Trump.
Além disso, o South China Morning Post sugere que esta visita pode ajudar a prolongar a trégua comercial de um ano, acordada em outubro entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, que ajudou a aliviar as tensões geradas pelas tarifas impostas após o regresso do republicano à Casa Branca.
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Fonte: Sapo





