A construção de carteiras de investimento que combinam ações e obrigações tem sido uma prática comum entre investidores, desde os institucionais até aos particulares. Esta abordagem visa diversificar os investimentos e reduzir o risco, uma vez que ações e obrigações tendem a apresentar comportamentos opostos em diferentes cenários de mercado.
Tradicionalmente, a estratégia 60/40, que aloca 60% do capital em ações e 40% em obrigações, tem sido um pilar na gestão de ativos. No entanto, a eficácia desta abordagem tem sido questionada nos últimos anos, especialmente desde 2020, quando as ações e as obrigações começaram a evoluir de forma sincronizada. Esta mudança levanta a dúvida sobre se ainda faz sentido equilibrar carteiras com estes dois tipos de ativos.
Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) destaca que as obrigações perderam a capacidade de amortecer a volatilidade das ações. Durante períodos de queda acentuada dos mercados, as obrigações passaram a acompanhar as oscilações das ações, o que pode aumentar a volatilidade das carteiras de investidores, incluindo os mais conservadores, como fundos de pensões e seguradoras.
A pandemia de COVID-19 foi identificada como um ponto de viragem nesta correlação. Nos primeiros 20 anos deste século, as obrigações frequentemente geraram retornos positivos quando as ações apresentavam resultados negativos. Contudo, em 2022, tanto ações como obrigações sofreram quedas significativas, um fenómeno que se tem repetido em várias ocasiões desde então.
As pressões inflacionistas, resultantes da pandemia e de outros fatores, têm contribuído para esta nova dinâmica. A inflação elevada prejudica as ações ao aumentar os custos operacionais das empresas e reduzir o poder de compra dos consumidores. Por outro lado, a subida das taxas de juro também afeta negativamente as obrigações, uma vez que as yields aumentam em sentido contrário ao preço dos títulos.
Neste contexto, muitos investidores estão a reconsiderar a sua estratégia de alocação. A BlackRock sugere que, apesar das incertezas, os investidores devem continuar a diversificar as suas carteiras, incluindo tanto ações como obrigações. A empresa acredita que poderemos estar a entrar numa fase em que as obrigações possam voltar a desempenhar um papel importante na mitigação do risco.
Embora a diversificação entre ações e obrigações possa não ser tão eficaz como no passado, continua a ser uma estratégia relevante. O FMI recomenda que os investidores ajustem as suas carteiras para refletir as novas correlações entre ativos e considerem a inclusão de alternativas, como matérias-primas ou ativos não cotados, para diversificar ainda mais.
Para aqueles que acreditam na importância de equilibrar carteiras, existem várias opções de investimento. A compra direta de ações e obrigações pode ser uma abordagem, mas exige uma gestão ativa e pode não ser viável para todos os investidores. Alternativamente, os fundos de investimento e os ETFs oferecem uma forma prática de diversificar entre diferentes tipos de ativos.
Em suma, equilibrar carteiras com ações e obrigações pode não ser infalível, mas continua a ser uma estratégia válida e relevante na gestão de ativos. As obrigações ainda oferecem um rendimento regular através do pagamento de juros, o que as torna atraentes para muitos investidores. A chave está na ponderação adequada de cada ativo, que deve ser ajustada conforme o perfil do investidor e as condições de mercado.
Leia também: A importância da diversificação em investimentos.
equilibrar carteiras equilibrar carteiras Nota: análise relacionada com equilibrar carteiras.
Leia também: Tarifas afetam negócios e consumidores nos EUA, diz Williams
Fonte: Doutor Finanças




