A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) vai discutir na próxima Assembleia Geral (AG) a centralização dos direitos televisivos, um tema que promete impactar significativamente o futuro financeiro dos clubes. A reunião está agendada para esta sexta-feira, às 15:00, e terá como ponto central a proposta de comercialização dos direitos audiovisuais da I e II Liga para o mercado nacional.
André Mosqueira do Amaral, diretor executivo da LPFP, explicou que o procedimento de comercialização irá definir as regras e limitações para a venda e exploração dos direitos televisivos. Este passo é crucial, uma vez que a centralização, prevista para entrar em vigor na temporada 2028/29, representa uma das principais fontes de receita dos clubes.
As 33 sociedades desportivas que competem nas ligas profissionais terão a responsabilidade de decidir como os leilões serão realizados, quais os objetos a comercializar, a duração dos contratos e as obrigações de cada parte envolvida. A centralização dos direitos televisivos é vista como uma oportunidade para maximizar o valor económico dos mesmos, ao mesmo tempo que se respeitam as normas definidas pela Autoridade da Concorrência (AdC).
Em declarações ao ECO, Nuno Catarino, administrador financeiro da Benfica SAD, alertou que o clube pode perder até 15 milhões de euros por ano com a centralização. Este cenário levanta preocupações sobre o impacto financeiro que a nova estrutura poderá ter sobre os clubes, especialmente os que dependem mais das receitas televisivas.
O decreto-lei n.º 22-B/2021 estabelece a obrigatoriedade da centralização a partir de 2028/29 e determina que os termos discutidos na AG devem ser aprovados pela AdC até ao final da época desportiva de 2025/26. Mosqueira do Amaral sublinhou que o documento em discussão reflete um esforço conjunto para garantir a transparência e a boa prática no mercado português.
Após a votação na AG, a LPFP dará seguimento ao processo com a apresentação formal da proposta à AdC. Este trabalho colaborativo visa assegurar que as preocupações da AdC e dos clubes sejam atendidas, criando um modelo que beneficie todo o ecossistema do futebol profissional.
A centralização dos direitos televisivos não se limita apenas a um leilão, mas também representa uma estratégia para desenvolver um produto consistente e atrativo para o futebol português. A discussão na AG é, portanto, um passo fundamental para moldar o futuro das receitas dos clubes e a forma como os direitos televisivos serão geridos.
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Fonte: ECO





