Roumen Radev vence eleições na Bulgária e promete estabilidade

O ex-presidente da Bulgária, Roumen Radev, venceu as eleições parlamentares antecipadas, conquistando a maioria dos votos com a sua coligação, a Bulgária Progressista. Radev, que se demitiu do cargo de chefe de Estado para se candidatar a primeiro-ministro, obteve cerca de 37,5% dos votos, segundo as contagens ainda em curso. Esta vitória abre caminho para uma possível normalização política e económica no país, embora a extensão da maioria ainda seja uma incógnita.

A coligação de Radev ficou muito à frente da GERB-UDF, liderada pelo ex-primeiro-ministro Boiko Borissov, que conseguiu apenas 16,2%. Em terceiro lugar, a coligação Continuamos a Mudança – Bulgária Democrática obteve 14,3%, enquanto o Movimento pelos Direitos e Liberdades, liderado por Delyan Peevski, ficou com 8,4%. O partido pró-Rússia Vuzrazhdane obteve 4,9%, e a coligação do Partido Socialista Búlgaro e da Esquerda Unida não ultrapassou os 4,1%.

As projeções indicavam uma participação eleitoral que poderia superar as anteriores, com estimativas a rondar os 60%, quase o dobro dos 34% registados em junho. Radev, que renunciou ao cargo de presidente em janeiro de 2026, centrou a sua campanha na oposição à “oligarquia” que, segundo ele, controla o país. O ex-presidente descartou qualquer entendimento com Borissov ou Peevski, caso necessite de formar coligações.

Embora Radev tenha mostrado algumas tendências eurocéticas e se opõe ao apoio militar à Ucrânia, analistas acreditam que ele não irá reverter a orientação pró-europeia da Bulgária, especialmente após a entrada do país na Zona Euro no início deste ano. Além disso, não há indícios de que a Bulgária esteja a considerar uma saída da NATO.

O processo eleitoral não foi isento de problemas, com relatos de dificuldades com urnas eletrónicas que obrigaram algumas votações a serem feitas em papel. O Ministério do Interior búlgaro conduziu uma operação contra a compra de votos, resultando em várias detenções e apreensões de dinheiro, totalizando cerca de um milhão de euros.

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As preocupações económicas ocupam um lugar central nas inquietações dos búlgaros. O investimento estrangeiro direto, crucial para a recuperação económica, atingiu 809,1 milhões de euros nos primeiros meses do ano, representando 0,7% do PIB. Este valor é um aumento significativo em comparação com os 540,5 milhões registados no mesmo período do ano anterior.

A questão energética também é premente, uma vez que a Bulgária tem uma longa dependência de petróleo e gás russos. Desde 2022, o país tem diversificado as suas fontes de gás, recorrendo ao Azerbaijão e ao GNL através da Grécia, após a interrupção dos fornecimentos pela Rússia. O governo búlgaro comprometeu-se a eliminar completamente a dependência do gás russo até 2028.

Leia também: O impacto das eleições búlgaras na economia regional.

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Fonte: Sapo

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