O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou uma revisão das suas previsões económicas, cortando as expectativas de crescimento global e aumentando as estimativas de inflação. A instituição, liderada por Kristalina Georgieva, alerta que a economia mundial pode enfrentar uma recessão se a situação no Irão se agravar. No contexto das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, foram apresentadas cinco recomendações cruciais para lidar com a crise económica.
O FMI traça um paralelo com os choques petrolíferos da década de 1970, embora a economia atual seja menos dependente de combustíveis fósseis. Pierre-Olivier Gourinchas, economista-chefe do FMI, sublinhou que a guerra no Irão pode ter um impacto significativo nos preços da energia, afetando diretamente a inflação e a segurança alimentar. A instituição prevê que os preços das matérias-primas energéticas possam aumentar até 19% até 2026, com cenários mais severos a apontarem para aumentos ainda mais acentuados.
A segurança alimentar é uma das áreas mais preocupantes. O FMI alerta que a guerra pode provocar interrupções nos mercados de fertilizantes, o que levará a um aumento substancial dos preços dos alimentos. Num cenário adverso, os preços globais dos alimentos poderão subir 2,5%, podendo atingir 10% em 2027. Esta situação coloca a segurança alimentar em risco, afetando o poder de compra das famílias e exacerbando a crise económica.
Outro ponto crítico abordado pelo FMI é a dívida pública. O relatório de estabilidade financeira global destaca que a elevada dívida pública, combinada com a emissão de obrigações a curto prazo, pode resultar em episódios de volatilidade severa nos mercados de dívida. O FMI recomenda que os governos reorientem as suas políticas orçamentais para estabilizar a trajetória da dívida e que os supervisores incluam estes riscos nos testes de stress ao setor bancário.
Os bancos centrais também são chamados a agir com cautela. O FMI sugere uma resposta monetária gradual, mas alerta que, caso as expectativas de inflação se desancorem, será necessário um aperto monetário mais forte. Pierre-Olivier Gourinchas enfatizou que “carregar no travão será doloroso”, referindo que os custos económicos para controlar a inflação poderão ser significativamente mais elevados em comparação com os esforços pós-pandemia.
Por último, o FMI identificou o crescimento alavancado dos intermediários financeiros não bancários como um risco sistémico. A instituição recomenda que os supervisores fechem as lacunas de dados sobre exposições e alavancagem, e que se realizem testes de stress a bancos e entidades não bancárias. A expansão da compensação centralizada nos mercados de reporte é vista como uma prioridade para mitigar o risco sistémico.
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Fonte: ECO





