O mercado de casas de luxo em Portugal registou um crescimento notável em 2025, atingindo um volume total de 41,2 mil milhões de euros. Este aumento de 21,7% em relação a 2024 foi revelado num estudo da mediadora Porta da Frente Christie’s International Real Estate, em colaboração com a universidade Nova SBE. O número de transações de casas de luxo subiu para 169.812, refletindo uma procura crescente neste segmento.
Contudo, o mercado de luxo enfrenta uma crise de oferta. Desde 2021, a oferta de casas de luxo caiu 24,8%, enquanto a procura aumentou cerca de 12% em relação ao ano anterior. A principal razão para esta discrepância é a falta de construção, com Portugal a registar apenas 4,2 fogos por mil casas, comparado com a média europeia de 7,1. Em 2024, foram concluídos cerca de 25 mil fogos, muito aquém das 70 mil unidades que o mercado necessita.
Pedro Brinca, investigador na NOVA SBE e coordenador do estudo, destacou que na Área Metropolitana de Lisboa, a construção de casas de luxo caiu drasticamente. Entre 2000 e 2010, eram construídos 916 fogos por ano, enquanto de 2010 até agora, apenas 13 foram erguidos. Este cenário tem um impacto direto no setor da construção, especialmente no segmento de gama alta, onde o preço do metro quadrado começa a partir dos 5.500 euros.
João Cília, CEO da Porta da Frente, afirmou que construir abaixo de 4.500 euros por metro quadrado é uma tarefa difícil, especialmente fora dos centros urbanos. A viabilidade económica de um T2 de 100 metros quadrados por 400 mil euros em zonas afastadas das grandes cidades é praticamente inexistente. O preço médio das casas de luxo subiu 8,5% em 2025, fixando-se em 7.945 euros por metro quadrado, um aumento de 35,8% desde 2021.
O estudo também revelou que as áreas de Cascais-Estoril estão a rivalizar com algumas das cidades mais caras da Europa, com preços que variam entre 20 e 35 mil euros por metro quadrado. Outras áreas de destaque incluem a Quinta do Lago, com 10.825 euros por metro quadrado, e a Foz do Douro, com 6.533 euros por metro quadrado. Em comparação, Lisboa, com 7 mil euros por metro quadrado, continua a ser mais acessível do que cidades como Londres e Paris.
O subsegmento affluent, que inclui imóveis com preços por metro quadrado entre os 10% e 5% mais caros, teve a maior valorização, com um aumento de 10,4% face a 2024, atingindo 6.496 euros por metro quadrado. Este segmento é predominantemente composto por compradores portugueses, que representam mais de 95% das transações. A descida das taxas de juro tem contribuído para o aquecimento deste mercado.
Os responsáveis pelo estudo acreditam que o subsegmento affluent será a nova porta de entrada para o mercado de luxo, devido a fatores como a atratividade da construção nova, a reabilitação de localizações premium e a recente redução do IVA na construção para 6% para casas até 661 mil euros. Os outros subsegmentos analisados também mostraram crescimento, com o premium a aumentar 8,1% e o luxo a subir 7,5%.
Leia também: O impacto da crise de oferta no mercado imobiliário em Portugal.
Leia também: Espanha aprova plano de habitação de 7 mil milhões para 2026-2030
Fonte: Sapo





