Em Portugal, muitos jovens sentem que as condições que lhes são oferecidas são impossíveis de alcançar. A sociedade parece valorizar excessivamente os bens materiais como sinónimo de sucesso, enquanto a realidade é que esses objetivos se tornam cada vez mais difíceis de atingir. A estagnação da produtividade e dos salários, que se arrasta há quase duas décadas, agrava esta situação.
A fiscalidade em Portugal é excessivamente progressiva, mesmo para aqueles que recebem salários modestos. Além disso, as condições para a natalidade não têm melhorado, e o mercado da habitação apresenta preços que muitos consideram proibitivos. Os jovens em Portugal enfrentam um cenário desolador, onde a expectativa de melhoria salarial é quase inexistente. O aumento do salário mínimo, embora positivo, não tem sido suficiente para inverter a tendência de estagnação.
Em 1980, Portugal registou 158 mil nascimentos por ano, um número que caiu para cerca de 85 mil em 2024, representando uma diminuição drástica. Em contrapartida, a população com mais de 65 anos aumentou de 1,1 milhões para 2,6 milhões. Este envelhecimento da população levanta questões sobre a capacidade do sistema de saúde e da sociedade em geral para lidar com as necessidades de uma população que envelhece rapidamente. A queda no número de partos, aliada a um sistema de creches ainda incompleto, revela a falta de planeamento e a incapacidade de resposta às necessidades dos jovens em Portugal.
A crise da habitação é outro ponto crítico. Com uma década de dificuldades no setor, as políticas implementadas parecem ser apenas superficiais, sem resultados concretos. Em 2025, apenas 26,7 mil fogos foram construídos, um número alarmante, considerando que o país recebeu mais de um milhão de imigrantes nesse período. A lentidão nos licenciamentos e a baixa taxa de construção indicam que a crise da habitação irá continuar a agravar-se. Os jovens em Portugal, que já enfrentam desafios significativos, sentem-se cada vez mais esquecidos por parte dos partidos políticos, que parecem ignorar as suas necessidades.
É crucial que a sociedade não se esqueça dos jovens, pois isso compromete o futuro do país, tanto em termos económicos como identitários. A promoção de políticas que visem o crescimento através do aumento da produtividade pode beneficiar não apenas os jovens, mas toda a população. Ajudar os mais novos não implica prejudicar os mais velhos; pelo contrário, é uma questão de garantir um futuro sustentável para todos.
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Fonte: Sapo





