Um grupo de agricultores lançou uma petição pública contra a transferência do Campo de Tiro da Força Aérea de Alcochete para Alter do Chão, destacando os potenciais danos ambientais e económicos que esta infraestrutura pode causar. A petição, que pode ser consultada online, já conta com 1.482 assinaturas e é dirigida ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.
Os subscritores pedem que a Assembleia da República analise e debata a petição em comissão e, se necessário, em sessão plenária. Além disso, solicitam que o parlamento exija ao Governo a divulgação de todos os estudos técnicos e pareceres que fundamentaram a decisão de transferência do Campo de Tiro. Os agricultores defendem ainda que deve ser suspenso qualquer avanço do projeto até que sejam concluídos os procedimentos legais obrigatórios, como a Avaliação de Impacte Ambiental e a consulta pública.
Maria Vasconcelos, uma das subscritoras e proprietária de terrenos na região, alertou para o facto de que os terrenos onde se pretende instalar o novo campo de tiro são “protegidos ambientalmente” e têm “corredores de aves”. A empresária criticou a falta de estudos prévios e de transparência na decisão do Governo, que anunciou a nova localização em março, sem fornecer detalhes sobre o local exato do campo.
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, justificou a escolha de Alter do Chão como um passo importante para a desmilitarização dos terrenos onde será construído o novo aeroporto Luís de Camões, na região de Lisboa. No entanto, os agricultores sublinham que a área é atravessada por um gasoduto de alta pressão, levantando preocupações sobre a segurança da construção do campo de tiro.
“A segurança de construir um campo de tiro em cima de um gasoduto não foi avaliada”, afirmou Maria Vasconcelos, que também alertou para o impacto negativo que a construção terá nas explorações agrícolas locais, resultando em desemprego na região. “São 7.500 hectares de terras que estão a ser exploradas por empresários agrícolas, cujo pessoal vai todo para o desemprego”, acrescentou.
Na petição, os agricultores destacam que o risco de incêndio florestal será significativamente agravado, com a interdição de vastas áreas para as equipas de combate em caso de emergência. Além disso, recordam que Alter do Chão é conhecido como o berço do cavalo Puro-Sangue Lusitano, e a instalação do campo de tiro é considerada incompatível com o turismo equestre, que é uma parte significativa da economia local.
Os peticionários também mencionam que a decisão não considera a compatibilidade com a Barragem do Pisão e com o Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, o que levanta mais questões sobre a viabilidade do projeto.
Leia também: O impacto da construção militar na economia local.
Leia também: Açores: Transformar Insularidade em Valor Económico
Fonte: Sapo





