No dia 28 de abril de 2025, Portugal e Espanha enfrentaram um apagão que foi descrito como o mais severo no sistema energético europeu nos últimos 20 anos. Um ano depois, o setor energético português clama por uma aceleração nas medidas de armazenamento energético, fundamentais para evitar a repetição de tal incidente. Apesar de várias iniciativas terem sido anunciadas, a sua implementação real ainda é uma preocupação.
Após o apagão, o Governo português delineou 31 medidas, das quais 21 foram consideradas executadas e 10 estão em fase de implementação. A ministra do Ambiente expressou a esperança de que todas as medidas sejam concluídas até ao final do ano. Contudo, especialistas do ENTSO-E, que analisaram o evento, apresentaram 22 recomendações, focando-se no reforço das práticas operacionais, na monitorização do sistema e na partilha de dados entre os intervenientes do setor.
Embora a ministra tenha afirmado que 90% das recomendações já estão em fase de implementação, há ainda lacunas a serem preenchidas, como a aplicação de requisitos de controle de tensão para geradores pequenos. O regulador da energia, a ERSE, reconhece que o trabalho está longe de estar concluído e promete identificar oportunidades de melhoria.
Um dos principais focos da ação pós-apagão é o aumento do número de centrais com arranque autónomo, que são essenciais para reanimar o sistema elétrico após um colapso. Atualmente, existem quatro centrais com esta capacidade, mas o setor considera que é necessário um investimento mais robusto no armazenamento energético para garantir a resiliência do sistema.
Representantes do setor, como a APREN e a Helexia, destacam a importância de um investimento contínuo na rede elétrica e na modernização das infraestruturas. No entanto, críticos como o ex-secretário de Estado da Energia, João Galamba, afirmam que as medidas anunciadas ainda não se traduziram em ações concretas. Ele sublinha a importância de um leilão de serviços de sistema, que poderia permitir que as baterias desempenhassem um papel crucial na gestão do sistema elétrico.
António Vidigal, ex-CEO da EDP Inovação, também defende a necessidade de acelerar a implementação de serviços de sistema mais rápidos, que poderiam ser melhor executados por baterias. João Nuno Serra, da ACEMEL, alerta que a falta de execução das medidas anunciadas é um problema que pode comprometer a eficiência do sistema.
A APREN sugere, entre outras medidas, a promoção de soluções de armazenamento energético associadas a centrais renováveis híbridas. Luís Pinho, da Helexia, considera que o quadro regulatório já está a evoluir, mas enfatiza a necessidade de incentivos económicos mais robustos para serviços de rede prestados por baterias e autoconsumo.
A ministra do Ambiente confirmou que o lançamento do mercado de serviços de sistema está previsto para breve, assim como a conclusão da Estratégia para o Armazenamento. Além disso, a APREN destaca a importância de reforçar as interligações elétricas com a Europa, um passo essencial para a estabilidade do sistema.
Em suma, um ano após o apagão, a urgência de acelerar o armazenamento energético é clara. O setor clama por ações concretas e rápidas para garantir a resiliência do sistema elétrico e evitar futuros colapsos. Leia também: O futuro das energias renováveis em Portugal.
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Fonte: ECO





