O recente conflito no Médio Oriente terá um impacto duradouro na economia global, segundo o BNP Paribas. Durante a apresentação do seu relatório global, a instituição financeira destacou que as consequências deste choque se farão sentir independentemente dos desenvolvimentos imediatos na região. O banco prevê uma desaceleração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), um aumento da inflação e uma postura mais restritiva dos bancos centrais.
Luigi Speranza, economista chefe do BNP Paribas, afirmou que a extensão da disrupção no Médio Oriente é suficiente para causar danos significativos à economia global. No entanto, ele acredita que a resiliência das economias pode evitar uma recessão generalizada. Paul Hollingsworth, responsável pela análise dos mercados desenvolvidos, acrescentou que o cenário atual é marcado por preços mais elevados da energia e uma crescente incerteza, que diminui o apetite ao risco entre os investidores.
O impacto no Médio Oriente não se traduz num jogo de soma nula, especialmente no setor energético. Enquanto os produtores beneficiam com o aumento dos preços, os consumidores enfrentam consequências negativas. Este desequilíbrio acaba por resultar num impacto negativo para a economia global. Além disso, as repercussões não são uniformes entre as diversas regiões. A Europa e o sudeste asiático, devido à sua maior dependência energética da região, serão as mais afetadas. Em contrapartida, os Estados Unidos, como exportadores líquidos de energia, poderão sentir-se mais isolados dos efeitos do conflito.
O BNP Paribas também revisou as suas previsões de inflação, aumentando-as em mais de 100 pontos em muitos casos. Para a zona euro, a expectativa é de uma inflação de 3,7% em 2027, enquanto no Reino Unido a previsão é de 4,5%. No que diz respeito à política monetária da Reserva Federal dos EUA, o banco espera que as taxas de juro se mantenham elevadas, mas não descarta um eventual aumento.
Camille de Courcel, diretora de estratégia de taxas, destacou que os efeitos do conflito no Médio Oriente devem levar a um aumento das yields das obrigações. Caso os bancos centrais decidam subir as taxas de juro, as yields também deverão acompanhar essa tendência. Contudo, a expectativa é de que não haja uma recessão.
No mercado cambial, Sam Lynton-Brown, responsável pela estratégia macroeconómica do BNP Paribas, previu uma desvalorização do dólar, apesar das melhores perspetivas de crescimento económico dos EUA. O banco projeta que a taxa de câmbio euro/dólar atinja 1,20 dólares. A Ásia, sendo uma das regiões mais afetadas pelo conflito, deverá enfrentar desafios adicionais nas suas moedas.
Em relação aos mercados emergentes, o BNP Paribas mantém uma perspetiva positiva. Viktor Hjort, responsável pela estratégia de crédito, observou que a recuperação recente dos mercados não teve um catalisador claro, mas acredita que a época de apresentação de resultados poderá ser um fator impulsionador. No que toca ao crédito privado, embora existam riscos de deterioração, este processo deverá ser gradual.
Leia também: O que esperar da economia global em 2024?
impacto no Médio Oriente impacto no Médio Oriente impacto no Médio Oriente impacto no Médio Oriente Nota: análise relacionada com impacto no Médio Oriente.
Leia também: Decisão do Fed: O que esperar da reunião de quarta-feira
Fonte: Sapo





