A China decidiu ignorar as sanções norte-americanas que afetam cinco refinarias ligadas ao comércio de petróleo iraniano. Esta medida, que desafia diretamente a influência dos EUA, visa mitigar o impacto das penalizações impostas por Washington e reforçar a relação comercial entre os dois países.
O Ministério do Comércio da China emitiu uma injunção que instrui as refinarias a não cumprirem as sanções. As empresas afetadas incluem a Hengli Petrochemical (Refinaria de Dalian), Shandong Jincheng Petrochemical Group, Hebei Xinhai Chemical Group, Shouguang Luqing Petrochemical e Shandong Shengxing Chemical. Segundo a agência estatal Xinhua, estas refinarias enfrentavam congelamentos de ativos e proibições de transações devido às sanções do Departamento do Tesouro dos EUA.
O ministério chinês argumenta que as sanções norte-americanas violam “o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais”. A injunção formalmente estipula que os EUA não podem reconhecer, implementar ou cumprir as sanções impostas a estas cinco empresas. A Hengli Petrochemical, uma das maiores refinarias privadas da China, foi sancionada no mês passado, destacando a importância desta decisão para o setor.
As refinarias independentes, conhecidas como “teapots”, desempenham um papel crucial no comércio de petróleo iraniano com a China. Este país adquire cerca de 90% das exportações de petróleo do Irão, sendo que as teapots representam a maior parte dessas importações. As receitas geradas pelo petróleo iraniano beneficiam o regime de Teerão e os seus programas militares.
As sanções têm dificultado a operação das refinarias, que enfrentam desafios na recepção de crude e na venda de produtos refinados. As teapots, que representam um quarto da capacidade de refinação da China, operam com margens estreitas e têm sofrido pressões devido à fraca procura interna.
O Tesouro norte-americano já alertou as instituições financeiras sobre os riscos associados ao petróleo iraniano. Este é frequentemente transportado para as refinarias chinesas através de uma “frota sombra” de navios-tanque que manipulam dados de localização para evitar deteção. Muitas vezes, o petróleo é misturado com fornecimentos de outros países para disfarçar a sua origem.
A decisão da China marca uma escalada nas tensões diplomáticas entre Pequim e Washington, especialmente num contexto de renovada guerra comercial. A injunção do Ministério do Comércio coloca as empresas chinesas numa posição difícil, obrigando-as a escolher entre as regras de Pequim e as de Washington.
Este desenvolvimento ocorre num momento em que as negociações entre os EUA e o Irão estão em andamento, tornando o petróleo iraniano um tema sensível na rivalidade entre as duas superpotências. A visita do presidente norte-americano a Pequim, agendada para maio, poderá trazer novos desdobramentos nesta complexa relação.
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Fonte: Sapo





