O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) está a implementar uma nova estratégia para reforçar os centros de orientação de doentes urgentes (CODU) com médicos provenientes de hospitais. Esta medida visa transformar os CODU nos principais responsáveis pela gestão do sistema integrado de emergência médica (SIEM).
De acordo com uma fonte do INEM, os despachos publicados recentemente estabelecem novas regras para o transporte de doentes críticos entre hospitais, sublinhando a relevância dos CODU na coordenação da emergência médica. A ideia é aumentar a capacidade de resposta dos centros localizados em Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve, utilizando um regime de mobilidade a tempo parcial. Este regime permitirá que médicos dos hospitais prestem serviço nos CODU durante um período semanal reduzido.
As novas regras estipulam que o INEM é responsável pelo transporte de doentes críticos urgentes, utilizando meios próprios ou coordenando os recursos disponíveis na rede hospitalar do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os médicos reguladores do CODU terão agora a responsabilidade de tomar decisões clínicas e logísticas sobre a definição de doentes críticos, a urgência do transporte e a escolha dos meios a mobilizar para estas transferências.
Além disso, o SIEM, que é coordenado pelo INEM e inclui os meios dos bombeiros e da Cruz Vermelha, será organizado em três níveis de socorro e quatro prioridades. Estas prioridades têm tempos definidos para a chegada dos meios ao local, variando entre menos de oito minutos e 120 minutos, dependendo da gravidade da situação.
O despacho assinado pela ministra da Saúde entra em vigor na quinta-feira e visa clarificar conceitos e definir a estratégia a seguir por todas as entidades envolvidas no socorro pré-hospitalar. O SIEM será estruturado em suporte básico de vida (SBV), suporte imediato de vida (SIV) e suporte avançado de vida (SAV), todos sob a supervisão direta dos CODU.
Além disso, foram introduzidas quatro prioridades: P1 emergente, P2 muito urgente, P3 urgente e P4 pouco urgente. O nível SAV inclui helicópteros de emergência médica e ambulâncias especializadas para o transporte de crianças entre hospitais, com recursos adequados como incubadoras e ventiladores pediátricos.
Recentemente, o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar e a Comissão de Trabalhadores do INEM expressaram preocupações sobre a falta de enquadramento legal para estas ambulâncias de transporte inter-hospitalar de crianças e jovens. O despacho também determina que o INEM deve manter uma frota própria de ambulâncias de socorro de nível SBV, com um mínimo de uma por cada unidade local de saúde, para garantir o transporte de doentes urgentes e responder a picos de procura.
O financiamento e funcionamento das ambulâncias de socorro nos hospitais serão definidos através de um acordo entre o INEM e a Direção Executiva do SNS. O documento também estabelece que todos os profissionais envolvidos nos meios de socorro devem receber formação inicial e atualizações regulares, conforme os protocolos clínicos e operacionais do INEM.
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Fonte: Sapo





