A sustentabilidade tem sido um tema central nas agendas empresariais, mas muitas vezes é encarada apenas como uma obrigação moral. Esta visão, embora tenha sido válida no passado, já não é suficiente. Para que as empresas aloque recursos – sejam humanos, financeiros ou temporais – à sustentabilidade, é crucial que os decisores compreendam o impacto financeiro das suas escolhas. O ROI da sustentabilidade deve ser fundamentado em métricas claras, como o retorno esperado, o tempo de recuperação do investimento, e o impacto no cashflow e no resultado líquido.
Num contexto de volatilidade económica, onde as pressões sobre a alocação de recursos são intensas, é vital que as empresas apresentem um business case robusto para a sustentabilidade. Este deve demonstrar de forma objetiva como e quanto valor é criado para o negócio. Contudo, o desafio reside no facto de que muitos dos benefícios da sustentabilidade não são imediatamente visíveis ou fáceis de quantificar.
Existem vantagens tangíveis, como as poupanças obtidas através de uma utilização mais eficiente dos recursos, ou receitas adicionais geradas por novas linhas de produtos e serviços. No entanto, existem também benefícios intangíveis e submersos que muitas empresas não consideram. A sustentabilidade pode, por exemplo, melhorar a atração e retenção de talentos, aumentar a produtividade, reforçar a reputação da marca e fidelizar clientes. Mas será que as empresas sabem quanto valem esses benefícios?
Estudos mostram que o valor invisível da sustentabilidade pode ser várias vezes superior ao retorno inicialmente previsto. O problema não é a falta de valor, mas sim a ausência de ferramentas e competências para identificar, estruturar e quantificar esse valor. Neste sentido, a framework Return on Sustainability Investment (ROSI) surge como uma solução eficaz. Esta abordagem permite quantificar o ROI da sustentabilidade, identificando os tópicos materiais da empresa e avaliando as políticas e processos em vigor. Através da análise de diferentes drivers de criação de valor, desde a gestão de risco até à gestão de talento, é possível monetizar esses benefícios ao longo do tempo.
É importante destacar que medir o ROI da sustentabilidade não requer dados perfeitos. As empresas devem iniciar este processo envolvendo várias áreas da organização e utilizando a informação disponível, evoluindo gradualmente. Mais do que um exercício contabilístico, quantificar o ROI da sustentabilidade é uma ferramenta de decisão que permite priorizar investimentos, comparar alternativas e reforçar o diálogo entre áreas técnicas e financeiras. Ao tornar visível o valor total – financeiro, ambiental, social e de governança – que as empresas criam, é possível evitar que uma parte significativa do retorno fique “em cima da mesa”.
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ROI da sustentabilidade Nota: análise relacionada com ROI da sustentabilidade.
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Fonte: ECO





