A transição energética é um tema central nas discussões atuais, especialmente quando se fala em alternativas aos combustíveis fósseis. Durante a conferência “Transição Energética”, realizada em Lisboa, Anabela Antunes, Chief Operating Officer da Prio, expressou a sua preocupação com a forma como os biocombustíveis estão a ser tratados em termos fiscais. Segundo Antunes, a taxação dos biocombustíveis como se fossem combustíveis fósseis “não faz sentido”.
Na sua intervenção, a responsável da Prio sublinhou que, apesar de os biocombustíveis terem um papel importante na transição energética, a sua competitividade está a ser prejudicada por uma carga fiscal excessiva. “Se fosse retirada essa carga, de certeza que seriam muito mais competitivos”, afirmou. Com o aumento do preço do diesel, que subiu mais de 60%, Antunes destacou que um dos biocombustíveis da Prio se tornou mais barato do que o gasóleo, o que demonstra o potencial desta alternativa.
Atualmente, os biocombustíveis representam apenas 5% dos combustíveis em circulação em Portugal. Antunes referiu que, apesar de Portugal ter trabalhado nesta área durante 20 anos, ainda há um longo caminho a percorrer. “Acreditamos no mix energético porque quanto maior for a diversificação, mais resilientes seremos e asseguraremos a nossa independência energética”, acrescentou.
Além disso, a COO da Prio considera que as metas para os biocombustíveis em Portugal são “pouco ambiciosas”. Ela destacou que existe uma capacidade de produção de 600 mil m2 que está a ser desaproveitada devido a limitações que já foram ultrapassadas. “Continuamos a barrar a introdução destes produtos no mercado”, lamentou.
Antunes também abordou a importância do biometano, que está em fase de expansão estratégica em Portugal. O objetivo é substituir o gás natural fóssil por esta alternativa renovável, produzida a partir de resíduos orgânicos. Até 2030, espera-se que o biometano tenha uma incorporação de 9,1% em Portugal, aumentando para 18,6% até 2040.
A Prio tem um projeto em desenvolvimento há quatro anos para o biometano, e Antunes acredita que é crucial criar um quadro que permita aos promotores desenvolverem os seus projetos de forma competitiva. “Competimos com o biometano produzido em outros países da Europa, onde existem vários tipos de incentivos”, explicou.
A COO da Prio também destacou a necessidade de utilizar resíduos da agroindústria para a produção de biometano, afirmando que “para ter produto, tem que haver mercado para esse produto”. O licenciamento é outro ponto crítico, com Antunes a pedir que os processos sejam mais céleres. “Continuamos a trabalhar na transição energética com a convicção de que este mercado vai ser uma realidade”, concluiu.
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Fonte: Sapo





