O presidente da CUF, Rui Diniz, expressou a sua opinião sobre o novo regime de contratação de médicos durante uma entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e Jornal de Negócios. Diniz considera que esta medida é “corajosa e vai no sentido correto”, embora ressalte que a solução não passa por ter “tarefeiros zero”.
Na conversa, Rui Diniz destacou que a atividade na área da saúde apresenta picos que precisam de ser “geridos e acomodados com recursos que não estão alocados em permanência”. Para ele, a verdadeira carência no setor não é apenas a contratação de médicos, mas sim a falta de enfermeiros. O presidente da CUF sublinhou que, com o aumento dos salários e a abertura de vagas em centros de saúde, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) se torna um concorrente muito forte, uma vez que “não há trabalho por turnos”.
Diniz também criticou a forma como o SNS é frequentemente abordado, apontando que a gestão é uma componente que não recebe a devida valorização. Ele defendeu que uma melhoria de produtividade de apenas 5% no SNS poderia resultar em poupanças anuais de 850 milhões de euros. A evolução acelerada dos custos na saúde é uma preocupação constante, e Rui Diniz notou que 90% da receita arrecadada com o IRS está já comprometida com o SNS.
O presidente da CUF elogiou a redução dos acessos às urgências e o aumento do acesso aos cuidados primários, bem como a concentração das urgências de obstetrícia. Ele sugeriu que este modelo poderia ser aplicado a outras áreas, como a cirurgia cardíaca em Lisboa, onde uma maior concentração poderia beneficiar a gestão.
Rui Diniz reafirmou a disponibilidade da CUF para colaborar com o Estado, mas defendeu que o recurso do SNS aos privados deveria ser “estruturado e enquadrado de forma mais sistemática”. A mudança do SIGIC para o SINACC, segundo Diniz, trará “mais transparência” ao processo de acesso a consultas e cirurgias.
Atualmente, o peso do SNS na faturação da CUF é de apenas 2%, em comparação com 21% da ADSE, 60% dos seguros e 15% dos privados. O presidente da CUF também alertou que os preços dos atos médicos “vão continuar a aumentar” devido à inflação e ao aumento dos salários. Além disso, a CUF reforçou os seus stocks de materiais provenientes da Ásia para evitar aumentos de preços e garantir a disponibilidade.
Rui Diniz revelou que, ao longo de 25 anos, a CUF estabeleceu Parcerias Público-Privadas (PPP) em vários hospitais, mas que não tem intenção de avançar para as concessões dos cinco hospitais que estão em fase de PPP na saúde. Ele enfatizou que, neste momento, isso “não é uma prioridade” para a CUF, alertando ainda para a complexidade das estruturas das PPP que estão a entrar no mercado.
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Fonte: Sapo





