Cabo Verde: Eleições 2026 e os Desafios da Nova Democracia

No dia 17 de maio de 2026, Cabo Verde realizou as suas oitavas eleições legislativas desde a implementação do multipartidarismo. O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) obteve a maioria dos assentos, derrotando o Movimento para a Democracia (MpD), e Francisco Carvalho foi nomeado novo primeiro-ministro. Este resultado confirma a alternância política que caracteriza democracias consolidadas e demonstra que os cabo-verdianos estão a avaliar e a escolher com cada vez mais exigência.

É importante reconhecer os avanços realizados antes de focar nas áreas que ainda precisam de melhorias. O governo de Ulisses Correia e Silva deixou um legado que merece ser destacado. Durante os dez anos de governação do MpD, Cabo Verde conseguiu superar crises significativas, como a pandemia, e apresenta hoje indicadores económicos mais robustos e uma credibilidade internacional crescente. O Orçamento de Estado para 2026 previa um crescimento do PIB de cerca de 6% e uma inflação em torno de 1,6%, números que são raros de ver em simultâneo em muitos países.

A diversificação da economia através da economia azul e digital, o investimento em energias renováveis e a melhoria da conectividade entre as ilhas são políticas que visam construir uma infraestrutura sólida para o futuro. Estas foram decisões difíceis, tomadas num contexto global turbulento, e merecem ser reconhecidas.

Gerir um arquipélago de dez ilhas, disperso pelo Atlântico e com uma economia dependente do turismo e das remessas da diáspora, não é uma tarefa simples. Quando o mundo parou, Cabo Verde também parou. O regresso ao crescimento sólido é, em grande parte, fruto de uma gestão macroeconómica responsável.

O novo governo do PAICV traz uma visão diferente, o que é saudável para a democracia. Francisco Carvalho apresentou uma plataforma que inclui a reforma do Estado, a gratuitidade do ensino superior público e a saúde universal gratuita, abordando questões prementes da sociedade cabo-verdiana. A criação de emprego será uma prioridade, com foco na melhoria das condições para o investimento privado e na redução da burocracia. Esta é uma agenda ambiciosa que, para ser sustentável, requer um financiamento rigoroso, sem comprometer as finanças públicas.

Leia também  Confiança das Famílias Cai com Tempestades, Empresas Mostram Resiliência

Nos últimos dez anos, o número de trabalhadores no sector rural caiu de 45 mil para 15 mil, resultando na perda de 30 mil postos de trabalho. Este é um dos dados mais alarmantes da realidade cabo-verdiana. A proposta de um banco de fomento para o sector primário e políticas para fixar a população nas ilhas menos dinâmicas é uma abordagem positiva, mas a execução será o verdadeiro desafio.

Os próximos cinco anos trarão desafios concretos e exigentes. A dependência do turismo continua a ser uma vulnerabilidade estrutural significativa, pois crises climáticas, recessões ou pandemias podem reverter anos de progresso em meses. A conectividade entre as ilhas precisa de melhorias, tanto físicas como digitais, para que as oportunidades económicas não se concentrem apenas na Praia e em São Vicente. Questões relacionadas com água e energia exigem investimento e inovação contínuos. Além disso, a diáspora, com mais de 72 mil eleitores inscritos no exterior, deve ser vista como uma parceira estratégica para o desenvolvimento, e não apenas como uma fonte de remessas.

A abstenção nas eleições de 2026 ultrapassou os 53%, um sinal preocupante que não pode ser ignorado. Mais de metade dos eleitores optou por não votar, o que representa uma das maiores urgências políticas do país: reconstruir a confiança nas instituições e aproximar a política dos cidadãos que deve servir.

Cabo Verde possui características que poucos países africanos têm: estabilidade democrática, credibilidade externa, um capital humano valioso na diáspora e uma localização geográfica privilegiada no Atlântico. O novo governo herda um país com bases sólidas e desafios reais. A responsabilidade é proporcional ao potencial.

Leia também: O impacto da diáspora na economia de Cabo Verde.

Leia também: FMI recomenda reformas fiscais para reduzir dívida pública no Brasil

Leia também  Mudanças nas viagens de Uber e Bolt em Lisboa

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top