América Latina enfrenta dilema político entre EUA e China

O antigo presidente da Colômbia, Ivan Duque, afirmou que a América Latina está a viver uma encruzilhada geopolítica sem precedentes, pressionada pela crescente parceria comercial com a China e pela influência dos Estados Unidos como referência institucional e democrática. Durante uma conversa no Fórum Lisboa, que decorre na Universidade de Lisboa, Duque comparou a situação da região a “filhos de pais separados em litígio”, onde os países são forçados a navegar entre duas potências com interesses divergentes.

“Há vinte anos, os EUA eram o parceiro económico preferencial da região. Hoje, a China é parceira comercial de 95% dos países da América Latina e Caraíbas”, destacou Duque. O ex-chefe de Estado participou de um painel com o ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Gilmar Mendes, e André Esteves, chairman do BTG Pactual, onde discutiu a necessidade de definir um parceiro estratégico para a América do Sul.

Duque defendeu que os valores democráticos são o que une a região aos Estados Unidos. “Geopoliticamente, esses princípios importam. Precisamos de democracias que defendam a economia de livre mercado e a iniciativa privada. Com a China, temos uma relação comercial, mas isso não nos une institucionalmente. A China não é uma democracia e, embora aplique fórmulas capitalistas, as grandes empresas chinesas estão sob forte influência do governo”, explicou.

O ex-presidente sublinhou que, atualmente, 70% do mundo vive sob sistemas autoritários ou quase autoritários. “A democracia pode ser caótica e barulhenta, mas prefiro mil vezes o ruído da democracia ao silêncio do autoritarismo. Nenhuma empresa pode prosperar sem liberdade, e por isso devemos ter uma relação privilegiada com os EUA”, afirmou.

Durante o debate, a dicotomia entre esquerda e direita foi abordada, com Duque a rejeitar essa divisão clássica. Para ele, a verdadeira discussão atual é entre “demagogos e pedagogos”. “Existem quem se diz progressista, mas que sempre foram ‘pobressistas’, perseguindo a iniciativa privada e intimidando o investimento. Esses são os demagogos”, disse. Em contrapartida, os “pedagogos” são aqueles que acreditam na iniciativa privada e que a sociedade deve fazer sacrifícios para alcançar resultados. “Os países que atraem mais investimento são aqueles que colocam o mercado e a economia de mercado no centro”, acrescentou.

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Duque elogiou a política fiscal implementada pelo presidente argentino, Javier Milei, e descreveu o presidente brasileiro, Lula da Silva, como um político pragmático. “Ele vê a política como quem toca violino, apoiando-se com a esquerda e tocando com a direita”, comentou.

No final da sua intervenção, Duque destacou a importância da intervenção da administração Trump na Venezuela, referindo que “a operação judicial funcionou impecavelmente”. No entanto, advertiu que a Venezuela ainda está longe da estabilidade, mencionando a necessidade de uma verdadeira separação de poderes e de um cronograma para a realização de eleições no país.

O Fórum Lisboa continua com a sua programação até amanhã, 3 de junho, na Aula Magna da Universidade de Lisboa e na Faculdade de Direito de Lisboa. Leia também: O impacto das relações comerciais na economia da América Latina.

América Latina América Latina Nota: análise relacionada com América Latina.

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Fonte: Sapo

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