O Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, que será coorganizado pelos Estados Unidos, Canadá e México, está a ser visto como um marco significativo não apenas no desporto, mas também na economia. Esta edição, a maior da FIFA até hoje, contará com 48 seleções e jogos em 16 cidades da América do Norte. Além disso, o evento pode marcar a última participação de grandes estrelas do futebol, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
Uma análise da corretora Freedom24 revela que as projeções financeiras para o Mundial 2026 superam em muito os números anteriores. A FIFA estima que as receitas durante o ciclo de 2023 a 2026 poderão variar entre 11 mil milhões e 13 mil milhões de dólares, um aumento considerável em relação aos 7,5 mil milhões de dólares do Mundial do Catar, em 2022. A venda de bilhetes e pacotes de hospitalidade deverá gerar cerca de 3,1 mil milhões de dólares, enquanto os direitos televisivos podem render aproximadamente 4,26 mil milhões de dólares. Espera-se que cerca de 6,5 milhões de espectadores assistam aos jogos ao vivo, estabelecendo um novo recorde.
Em termos de impacto macroeconómico, a contribuição total para o PIB dos três países anfitriões poderá atingir os 40,9 mil milhões de dólares, com a atividade económica global relacionada ao torneio a poder alcançar os 80,1 mil milhões de dólares. Especialistas da Freedom24 destacam que este fluxo de capital oferece oportunidades para investidores em vários setores, embora alertem que o efeito de um Mundial raramente resulta em crescimento sustentável a longo prazo.
Os setores do turismo e da hotelaria são os principais beneficiários diretos, com a FIFA a prever que mais de metade das despesas associadas ao evento será relacionada com gastos turísticos. Cadeias hoteleiras como Marriott, Hilton e Hyatt, assim como plataformas como Airbnb e agências de reservas online como Expedia e Booking, deverão ver um aumento significativo na procura. Após o sorteio da fase de grupos em janeiro de 2026, os preços dos hotéis nas cidades anfitriãs já subiram, em média, 14,75%, com aumentos notáveis em Guadalajara (385%) e Vancouver, onde alguns quartos chegam a custar 1.455 dólares por noite.
O setor de mobilidade urbana e entrega de refeições, com empresas como Uber e DoorDash, também antecipa um aumento de atividade. No retalho e marketing, marcas de vestuário desportivo, como a Adidas, que é parceira oficial da FIFA, estão posicionadas para obter retornos financeiros significativos. No entanto, concorrentes como Nike e Puma também devem ser observados devido aos seus patrocínios e vendas associadas ao futebol.
Além disso, o setor dos media e da publicidade digital, liderado por empresas como a Fox Corporation e a Comcast, deverá captar uma parte significativa dos investimentos publicitários das marcas. A análise sugere que a Netflix poderá beneficiar da sua expansão em documentários relacionados ao futebol. Por último, as apostas desportivas apresentam um alto potencial de rentabilidade, com previsões de que o volume global de apostas durante o campeonato ultrapasse os 150 mil milhões de dólares. Um estudo da Paysafe indica que 62% dos adeptos nos EUA planeiam apostar durante o evento, com a percentagem a subir para 68% no México. Operadores como DraftKings e Flutter Entertainment estão bem posicionados para aproveitar esta tendência.
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Fonte: Sapo





