Congresso do PSD inicia com rejeição do pacote laboral

O 43.º congresso do PSD teve início este sábado em Anadia, no distrito de Aveiro, com um pano de fundo marcado pela rejeição do pacote laboral proposto pelo Governo. O primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, abriu os trabalhos, um dia depois de o Chega ter chumbado a proposta que o Governo considerava crucial para o futuro da legislação laboral.

Montenegro e o líder parlamentar, Hugo Soares, responsabilizaram o Chega pelo falhanço do acordo, acusando o partido de comprometer a sustentabilidade da Segurança Social ao insistir na redução da idade da reforma como condição para a aprovação da proposta. Na quinta-feira, Soares tinha afirmado que a revisão do Código do Trabalho estava aprovada na generalidade, mas a situação alterou-se rapidamente, culminando na rejeição do diploma com os votos contra do Chega e da esquerda.

Este revés poderá influenciar o tom do congresso, que inicialmente não previa grandes polémicas. Montenegro prometeu uma análise mais profunda da situação política durante a sua intervenção. Em Bruxelas, o primeiro-ministro reafirmou que o Governo “não vai desistir” de criar condições para que Portugal seja competitivo e produtivo, mantendo a sua confiança na ministra do Trabalho.

Nos últimos dias, tanto Montenegro quanto Soares tinham apontado o dedo ao PS, responsabilizando-o pela escolha do Governo de procurar entendimentos com o Chega em questões como a lei laboral e a Prestação Social Única. O chumbo do pacote laboral deverá resultar em críticas partilhadas aos dois principais partidos da oposição durante o congresso.

Os trabalhos começaram às 10 horas no Velódromo Nacional de Sangalhos, com a apresentação da moção de estratégia global que levou Montenegro a ser reeleito presidente do PSD em maio, com 95% dos votos e sem oposição. A proposta, intitulada “Trabalhar – Fazer Portugal Maior”, será votada à noite e inclui o compromisso de Montenegro de não formar governo nem com o Chega nem com o PS, embora considere absurdo falar em “cercas sanitárias” no Parlamento.

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O congresso prosseguirá com a apresentação de 18 propostas temáticas, provenientes de estruturas autónomas do partido, distritais e eurodeputados do PSD, seguidas de discussões políticas. O prazo para entrega de candidaturas aos órgãos nacionais termina às 18 horas, e a votação da Moção de Estratégia Global e das Propostas Temáticas está agendada para as 23 horas.

Embora Montenegro mantenha as suas escolhas em segredo até ao final, são esperadas mudanças na Comissão Política Nacional, com uma possível redução da presença de membros do Governo. Uma lista alternativa ao Conselho Nacional, liderada por André Pardal, foi já anunciada, reunindo várias listas que se consideram uma “consciência crítica” dentro do partido.

Com 906 delegados e 297 participantes inscritos, além de cerca de 700 observadores, o congresso do PSD promete ser um evento significativo para o futuro do partido e da política em Portugal.

Leia também: O impacto da legislação laboral na economia portuguesa.

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Fonte: Sapo

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