As associações que representam os hospitais privados de Portugal e Espanha firmaram a Declaração de Lisboa, um documento que estabelece prioridades essenciais para o futuro dos sistemas de saúde. Esta declaração defende uma estratégia comum baseada na colaboração, inovação e sustentabilidade, visando enfrentar os desafios que ambos os países enfrentam na área da saúde.
A assinatura da Declaração de Lisboa ocorreu no encerramento da 5.ª Cimeira Ibérica dos Hospitais Privados, organizada pela Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) e pela Alianza de la Sanidad Privada Española (ASPE). O documento reafirma o compromisso do setor privado em melhorar o acesso aos cuidados de saúde e reforçar a capacidade de resposta dos sistemas de saúde em Portugal e Espanha.
Entre as cinco prioridades identificadas na Declaração de Lisboa, destacam-se a criação de um enquadramento regulatório estável, a valorização dos profissionais de saúde, a aceleração da transformação digital, o reforço da complementaridade entre os setores público e privado e a promoção de condições equitativas nas políticas de saúde europeias. Estas prioridades visam garantir que os sistemas de saúde se adaptem às necessidades crescentes da população.
Os signatários da Declaração de Lisboa alertam para desafios comuns, como a escassez de profissionais de saúde, o envelhecimento da população e a necessidade de modernização tecnológica. O documento reconhece ainda a importância dos hospitais privados na prestação de cuidados e na inovação, defendendo que todos os recursos disponíveis devem ser utilizados para enfrentar os desafios demográficos, tecnológicos e económicos que afetam a Europa.
No que diz respeito aos recursos humanos, a Declaração de Lisboa propõe estratégias para atrair e reter profissionais de saúde, promovendo melhores condições de trabalho e equipas multidisciplinares. A formação em competências digitais e a utilização da inteligência artificial são também abordadas como áreas fundamentais para o futuro do setor.
Em termos tecnológicos, os hospitais privados de ambos os países defendem a aceleração da transformação digital e a interoperabilidade dos sistemas de informação. A proteção dos dados dos cidadãos e a implementação responsável da telemedicina são igualmente prioridades na Declaração de Lisboa.
Além disso, o documento sublinha a necessidade de uma maior complementaridade entre os setores público e privado, com o objetivo de melhorar o acesso aos cuidados e reduzir os tempos de espera. Os signatários apelam ainda às instituições europeias para que promovam condições regulatórias justas, reconhecendo o contributo de todos os prestadores de cuidados de saúde.
Óscar Gaspar, presidente da APHP, enfatizou que “a saúde é um dos mais importantes ecossistemas económicos da Europa”, destacando que investir no setor é um investimento em capital humano e crescimento económico. Por sua vez, José Manuel Baltar, presidente da ASPE, sublinhou que “os grandes desafios sanitários já não conhecem fronteiras”, defendendo a necessidade de respostas conjuntas.
Francisco Catalão, secretário de Estado da Gestão da Saúde, reforçou que “a sustentabilidade não pode ser apenas um chavão”, sublinhando a importância da cooperação entre os setores público, privado e social para garantir o acesso universal aos cuidados de saúde.
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Fonte: Sapo





