A Ordem dos Médicos (OM) está a exigir esclarecimentos urgentes sobre a falha de energia que, na passada sexta-feira, afetou os sistemas informáticos do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Este incidente poderá ter resultado na ausência de registo em tempo real de mais de 150 mil consultas e atos clínicos.
Na sequência das “perturbações significativas” nos sistemas do SNS, a OM dirigiu um pedido de esclarecimento aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). O bastonário da OM, Carlos Cortes, lamentou a falta de comunicação atempada por parte dos SPMS, afirmando que uma comunicação imediata teria sido crucial para informar e apoiar os médicos, assim como para proteger os doentes.
Cortes expressou a sua preocupação ao afirmar que “não deixa de ser estranho e preocupante que os SPMS não tenham contactado a Ordem dos Médicos até ao dia de hoje”. Para ele, “este bloqueio de informação é incompreensível”. A OM sublinha que as falhas afetaram unidades de saúde em todo o país, dificultando o acesso à informação clínica e comprometendo a realização de atos essenciais à prestação de cuidados.
Diante desta situação, a Ordem dos Médicos considera fundamental conhecer, com rigor e transparência, as causas da falha, os sistemas afetados, a duração da indisponibilidade e as medidas adotadas para garantir a continuidade da atividade clínica e a segurança dos doentes. A OM estima que mais de 150.000 consultas e atos clínicos programados tenham ficado sem registo informático em tempo real.
“Muitas consultas não se realizaram ou foram adiadas, o que teve um impacto direto no acesso dos doentes aos cuidados de saúde, na qualidade da decisão médica e na organização do trabalho”, destacou. A OM recordou que esta é a segunda falha grave em menos de um mês nos sistemas de informação do SNS, referindo um incidente anterior que afetou dados de mais de 100 mil utentes.
A Ordem dos Médicos também solicitou esclarecimentos sobre esta situação, mas até ao momento não recebeu resposta. Para a OM, a resiliência dos sistemas críticos do SNS, a proteção dos dados dos utentes e a confiança dos cidadãos estão em jogo. “Quando os sistemas informáticos falham, os médicos ficam sem acesso a dados indispensáveis, aumentando o risco clínico e colocando os profissionais em situações complicadas”, alertou.
A OM defende que devem existir planos de contingência claros, testados e conhecidos pelos profissionais, com orientações clínicas e operacionais simples, circuitos alternativos e procedimentos seguros de registo e validação posterior dos atos realizados. Na carta enviada aos SPMS, Carlos Cortes pede ainda esclarecimentos sobre os sistemas de redundância existentes e sobre o projeto para reforçar a resiliência dos sistemas críticos do SNS.
“A segurança dos doentes, a continuidade dos cuidados e a proteção dos dados clínicos exigem informação clara, rápida e transparente. Qualquer prática de omissão ou ocultação de informação relevante é inaceitável”, concluiu.
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Fonte: ECO





