Portugal viu a sua posição no ranking europeu de PIB per capita deteriorar-se, conforme os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelaram uma nova estimativa da população residente, que agora se cifra em 11,4 milhões de pessoas para 2025. Esta revisão implica que o PIB per capita do país, medido em Paridade de Poder de Compra (PPC), desceu de 81% para 76,6% da média da União Europeia, colocando Portugal na 22.ª posição entre os Estados-membros.
Os cálculos mais recentes não indicam que os portugueses tenham perdido riqueza de forma abrupta, mas sim que a riqueza gerada deve ser repartida por um número maior de habitantes. Este ajuste estatístico levanta questões sobre a convergência económica que os governos de António Costa e Mário Centeno têm promovido. A realidade é que, em comparação com os restantes países da UE, Portugal parece estar em uma situação económica mais precária do que se pensava.
Em março, o Eurostat havia estimado que o PIB per capita de Portugal seria de 81% da média da UE, colocando o país no 18.º lugar, empatado com a Polónia. Contudo, com a nova revisão, Portugal recua para o 22.º lugar, atrás de países como Roménia e Croácia. Em relação à zona euro, a situação é igualmente preocupante, com a proporção a descer de 78,6% para cerca de 74,4%.
O INE, ao atualizar a série de dados de 2021 a 2024, baseou-se em informações administrativas, revelando que o PIB nominal de 2025 é de aproximadamente 306,8 mil milhões de euros. Assim, o PIB per capita recalculado é de cerca de 26.853 euros. Esta nova realidade estatística não apenas altera a perceção da riqueza nacional, mas também sugere que o crescimento do PIB foi impulsionado principalmente por um aumento populacional, sem um correspondente aumento na riqueza por habitante.
Comparando com 2019, o PIB per capita de Portugal caiu de 77,2%, evidenciando uma deterioração do nível de vida. A comparação com 1999 é ainda mais alarmante, com o país a descer de 85% para menos de 77% da média da UE.
Além disso, a revisão populacional traz à tona uma nova dinâmica migratória. O INE estima que, no final de 2025, 14% da população residente em Portugal era composta por estrangeiros, totalizando cerca de 1,6 milhões de pessoas. Entre 2021 e 2025, a população estrangeira duplicou, mas o crescimento abrandou significativamente em 2025, com um aumento de apenas 59.113 pessoas, em contraste com os anos anteriores, onde os fluxos migratórios eram muito mais elevados.
Apesar do abrandamento, a imigração continua a ser crucial para evitar a perda populacional em Portugal. Em 2025, o saldo natural foi negativo em 34.053 pessoas, mas o saldo migratório positivo de 70.862 garantiu um aumento líquido da população residente de 36.809.
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Fonte: ECO




