Luxo em Portugal: Oportunidades e Desafios no Setor

O mercado de luxo em Portugal está a passar por uma transformação significativa, conforme discutido na 1.ª edição da ECO Luxury Summit. Michael Pinkhasov, professor da Nova SBE, destacou que o país possui um potencial único no setor, mas deve evitar o modelo francês que, segundo ele, não se aplica à realidade portuguesa. “Lisboa, não sejas francesa”, afirmou, sublinhando que Portugal já é um produtor de luxo, com uma oferta diversificada que vai desde vinhos raros a artesanato de alta qualidade.

Pinkhasov argumenta que o luxo em Portugal não se limita a produtos, mas também se reflete na experiência de acolhimento e no cuidado com o cliente. Este tipo de luxo, que se distingue pela autenticidade e simplicidade, é uma vantagem competitiva face a grandes cidades como Nova Iorque e Paris, onde a competição é feroz e a exclusividade se perde.

Inês Risques, também da Nova SBE, trouxe dados que reforçam a ideia de que Portugal é um centro de excelência no mercado de luxo. O país é reconhecido por clusters de produção, como a joalharia em Gondomar e o têxtil em Guimarães. No entanto, ela alerta que o modelo de crescimento do setor precisa de uma revisão, pois a verdadeira crise não está na indústria, mas na forma como se tem abordado o crescimento.

O mercado de luxo em Portugal enfrenta desafios, como a migração de consumidores para o mercado secundário e a necessidade de se adaptar a um novo ciclo económico. Paula Sousa, fundadora da Just Like Honey, enfatizou que o luxo está a evoluir de um capital de status para um capital cultural, o que exige uma abordagem mais autêntica e menos dependente de influências externas.

O CEO da Tempus, David Kolinski, notou que as joias estão a recuperar popularidade, mas que o retalho de luxo enfrenta pressões significativas, como o aumento dos custos e a exigência dos consumidores. Para se destacar, as marcas devem focar na experiência de compra e na qualidade do serviço, algo que Portugal pode oferecer, dado o seu património cultural e artístico.

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No que diz respeito ao imobiliário de luxo, António Ribeiro da Cunha, CEO da Mello RCD, afirmou que Portugal está a tornar-se um destino mais caro, o que pode ser uma oportunidade para valorizar o que o país tem de único. Contudo, Diana Noronha Feio, da Openbook Studio, alertou que a perceção de que o luxo em Portugal é mais acessível do que em cidades como Paris pode ser uma faca de dois gumes, pois pode levar a expectativas não cumpridas.

O encerramento da ECO Luxury Summit trouxe à tona a necessidade de Portugal passar de um papel de fornecedor para um de criador no mercado de luxo. João Rui Ferreira, secretário de Estado da Economia, sublinhou que o momento é propício para que o país se afirme como uma origem de marcas de luxo, aproveitando as suas vantagens competitivas.

O futuro do mercado de luxo em Portugal parece promissor, mas depende de uma mudança na mentalidade e na abordagem ao setor. Para que o país se destaque verdadeiramente, é crucial que se aposte na criação de marcas que reflitam a autenticidade e a riqueza cultural de Portugal.

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Fonte: ECO

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