A questão da habitação para a classe média em Portugal continua a ser um dos maiores desafios enfrentados pelo país. Durante o painel “Choque no Imobiliário”, realizado no Advisory Summit 2026, especialistas discutiram formas de aumentar a oferta habitacional, abordando a simplificação do licenciamento, a estabilidade regulatória e a importância de parcerias entre o Estado e o setor privado. Este debate contou com a participação de Diogo Abecasis, Co-CEO da MAP Group, Fernando Costal Carinhas, Legal Director da PwC, e Manuel Maria Gonçalves, CEO da APPII.
Diogo Abecasis destacou que as medidas do Governo são um sinal positivo para o investimento imobiliário, mas sublinhou que a simplificação administrativa e os incentivos fiscais, embora necessários, não são suficientes para resolver a escassez de habitação de forma imediata. “As casas demoram entre quatro a cinco anos a chegar às famílias, devido ao longo processo de licenciamento e construção. A vontade do Governo em desburocratizar é louvável, mas é preciso agir com mais ambição”, afirmou.
Os atrasos na aprovação de projetos imobiliários têm um impacto significativo na viabilidade dos mesmos, adiando a disponibilização de novas habitações no mercado. Abecasis referiu que muitos projetos estão a ser prejudicados por demoras que podem ultrapassar os dois anos. “É um problema que afeta os nossos clientes e que compromete a entrada de habitações para as famílias”, acrescentou.
Para o Co-CEO da MAP Group, a solução para a habitação classe média passa por uma maior colaboração entre o setor público e privado. “Construir a custos acessíveis é um desafio, especialmente quando o custo de construção é elevado. Precisamos de parcerias público-privadas, como as que existem em outros países da Europa”, defendeu.
Fernando Costal Carinhas, da PwC, também abordou a necessidade de estabilidade legislativa e fiscal, considerando que a constante alteração dos regimes é um entrave ao desenvolvimento do mercado imobiliário. “O pacote ‘Construir Portugal’ traz boas medidas, mas a instabilidade legislativa continua a ser um problema crónico”, afirmou.
No que diz respeito ao mercado de arrendamento, Carinhas sublinhou que a oferta deve ser aumentada através de um regime mais estável. “Desde 2007, houve cinco alterações à lei do arrendamento, mas isso não melhorou as condições do mercado”, disse. Para ele, é fundamental que o mercado responda à real necessidade de habitação.
Manuel Maria Gonçalves, da APPII, reconheceu que o Governo está a começar a olhar para a escassez de oferta habitacional, mas alertou que as medidas atuais não resolverão o problema a curto prazo. “Temos um défice de 300 mil habitações. A habitação para a classe média é um grande desafio que deve ser encarado como uma missão nacional”, afirmou.
Gonçalves defendeu que a resposta à crise da habitação deve ser abrangente, envolvendo diferentes áreas da ação pública. “É impossível construir para vender a preços acessíveis no centro de Lisboa, especialmente quando apenas 2% do parque habitacional é público. O reconhecimento do Governo sobre a viabilidade económica é um passo positivo”, concluiu.
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Fonte: Sapo





