Queda do Rendimento Social de Inserção e Imigrantes em Portugal

O Rendimento Social de Inserção (RSI) tem vindo a registar uma queda contínua, levantando questões sobre a sua relevância e eficácia. Este apoio social, destinado a mitigar a pobreza severa, viu a sua proporção de beneficiários imigrantes encolher significativamente. De acordo com dados da Segurança Social, apenas 5,5% dos beneficiários do RSI são estrangeiros, o que equivale a cerca de 11 mil pessoas em 2025, num total de 213 mil beneficiários.

A discussão em torno da Prestação Social Única (PSU), que irá consolidar 13 apoios num só, trouxe à tona a necessidade de refletir sobre o acesso ao RSI por parte dos imigrantes. Com 1,1 milhões de imigrantes a contribuir para a Segurança Social, a pergunta que se coloca é: por que restringir o acesso a um número tão reduzido de beneficiários estrangeiros?

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam que a população imigrante em Portugal é superior ao que se pensava. Em 2025, apenas 0,7% dos imigrantes recebiam RSI, uma descida contínua desde 2022, quando esta proporção atingiu 1,5%. Este é o terceiro ano consecutivo em que a percentagem de imigrantes beneficiários do RSI diminui.

Em termos absolutos, o número de beneficiários do RSI em 2025 foi o mais baixo dos últimos 20 anos. Embora haja uma redução de 73,8 mil beneficiários em comparação com uma década atrás, a população total aumentou em 1,1 milhões. Comparando com dados de 15 anos atrás, a diferença é ainda mais acentuada, com uma diminuição de 313,8 mil beneficiários, enquanto a população cresceu em 885 mil.

No ano passado, 213,6 mil imigrantes receberam 335 milhões de euros em RSI, o que representa uma média de 131 euros mensais por beneficiário. Este número é uma sombra dos 527 mil beneficiários em 2010. A queda acentuada no número de beneficiários começou durante o período da Troika, quando foram implementadas condições mais rigorosas para aceder a este apoio social.

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Apesar de algumas das restrições terem sido revertidas em 2017, o número de beneficiários continuou a cair, embora a um ritmo mais lento. Nos últimos anos, a descida acentuou-se novamente, com uma queda de 8,2% em 2023, seguida de diminuições de 6,2% em 2024 e 5,6% em 2025. Nas últimas duas décadas, apenas em três anos houve um aumento no número de beneficiários.

As condições de acesso mais restritivas contribuíram para esta redução, mas também a melhoria das condições sociais no pós-Troika teve um impacto positivo. A taxa de risco de pobreza antes de apoios sociais caiu de 25% para 20,8% na última década, enquanto a taxa de emprego aumentou de 51% para 57,3% e a taxa de desemprego desceu de 11,5% para 6%.

No que diz respeito à faixa etária dos beneficiários, as crianças e adolescentes representam quase um terço do total (31,2%), seguidas pelos indivíduos entre 55 e 64 anos (17,8%). Curiosamente, o grupo acima dos 65 anos é o único que viu um aumento no número de beneficiários desde 2016, passando de 5 mil para 11 mil.

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Fonte: Sapo

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