Incêndios em Portugal: A urgência da resiliência climática

Todos os verões, Portugal é marcado pelo som da sirene, um alerta que remete a hectares ardidos, casas ameaçadas e vidas suspensas. A realidade dos incêndios florestais é uma história repetida, especialmente desde os devastadores incêndios de 2017, que consumiram cerca de 540 mil hectares e resultaram na perda de mais de 100 vidas e 1 bilião de euros. Apesar de uma descida na área ardida nos anos seguintes, a situação voltou a agravar-se em 2024 e 2025, com a perda de 270 mil hectares de florestas. Este cenário evidencia que a questão da resiliência climática em Portugal ainda está longe de ser resolvida.

Promover a resiliência climática é um trabalho que ocorre longe das câmaras, mas que é essencial. Este trabalho envolve a elaboração de mapas, planos de continuidade, gestão da vegetação e formação de equipas. A colaboração entre empresas, municípios, comunidades e entidades de proteção civil é fundamental. A prevenção, embora não substitua a proteção financeira, é crucial para salvaguardar o valor antes que ocorra a perda. No caso das florestas e da biodiversidade, a recuperação pode levar décadas.

O papel das empresas é decisivo na construção da resiliência climática. Para isso, é necessário desenvolver uma verdadeira cultura de risco, que inclua o conhecimento das vulnerabilidades, a preparação das equipas e o investimento em medidas preventivas. À medida que a economia cresce, aumenta também a concentração de ativos expostos a riscos. Sem uma abordagem preventiva, o crescimento económico pode resultar em maior exposição a esses riscos.

Além disso, com o aumento da temperatura média global, os incêndios florestais ocorrerão com maior frequência. Embora possamos mitigar o seu impacto, é impossível erradicá-los completamente. Assim, é vital reduzir o “protection gap”, que representa a diferença entre os riscos enfrentados e a proteção financeira disponível. A tempestade Kristin, uma das mais recentes tragédias ambientais em Portugal, revelou que apenas cerca de 20% das perdas estavam seguradas, deixando 80% a cargo das pessoas, empresas e do Estado.

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É urgente agir sobre esta realidade, sensibilizando a população para o aumento do risco climático e a importância da proteção financeira. A criação de um Sistema Nacional de proteção de riscos catastróficos é uma solução que tem sido debatida e que precisa de avançar. Este sistema, apoiado pela Associação Portuguesa de Seguradores, é uma medida que pode ajudar a mitigar os impactos das catástrofes.

A adaptação climática deve ser uma competência estratégica e coletiva. Nenhuma empresa pode ser verdadeiramente resiliente se o seu entorno for vulnerável. Da mesma forma, nenhuma comunidade estará segura se a prevenção depender apenas da memória do último incêndio.

O futuro constrói-se agora, quando ainda há tempo para agir. A verdadeira coragem climática reside em tomar decisões proativas, quebrando o ciclo repetitivo de tragédias. Assim como no filme “O Feitiço do Tempo”, ao fazermos as escolhas certas no presente, podemos avançar para um futuro mais seguro e sustentável.

Leia também: A importância da proteção financeira em tempos de crise.

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Fonte: Sapo

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