O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, sublinhou a importância da agricultura como um sector com potencial para gerar lucro, durante o encerramento do VIII Colóquio Hortofrutícola, realizado em São Teotónio, no concelho de Odemira. O responsável criticou a resposta do Estado à recente tempestade Kristin, afirmando que muitos agricultores se sentiram desiludidos com os apoios recebidos, que considerou insuficientes.
Mendonça e Moura destacou que a agricultura é um sector que sofreu imensamente com as catástrofes climáticas, e que a capacidade de resposta das instituições foi aquém do esperado. “Estamos num sector que foi afetado como nenhum outro pela catástrofe climática, e o que tivemos foi a incapacidade de resposta completa das instituições”, afirmou, reforçando que sem instituições a funcionarem de forma eficaz, não haverá desenvolvimento económico.
O presidente da CAP também mencionou a estratégia “Água Que Une”, que prevê um investimento de 129 milhões de euros até 2030 para o aproveitamento hidroagrícola do rio Mira. Para ele, a água é um recurso essencial para a agricultura lucrativa. “Primeiro, água. Segundo, água. Terceiro, água. As três primeiras coisas que precisamos ter são água”, reiterou.
Além da água, a mão de obra qualificada é outro aspecto crucial para o sucesso da agricultura em Portugal. Mendonça e Moura referiu que a CAP e outras confederações estão a trabalhar para facilitar a entrada de imigrantes no sector agrícola, de forma a garantir que as empresas tenham acesso a trabalhadores. “Espero ter nas próximas semanas progressos no sentido de os imigrantes chegarem e terem imediatamente o número da Segurança Social”, disse.
O presidente da CAP também abordou a questão da habitação, afirmando que o país deve garantir condições dignas para os imigrantes que chegam. “Não podemos receber imigrantes se não os receber em condições de dignidade”, afirmou, sugerindo que é necessário olhar para modelos de habitação utilizados em outras regiões, como Huelva, para resolver este problema.
Mendonça e Moura defendeu que a agricultura deve ser encarada como um sector estratégico para o crescimento económico. “Não podemos ter um país com a ambição de crescer no sector industrial e desenvolver o comércio, mas em que a agricultura é um sector para conversar. Não, não. É um sector para crescer. Para se desenvolver, para dar mais lucro”, concluiu.
A agricultura em Portugal tem, portanto, o potencial para ser uma actividade lucrativa, mas isso depende de uma abordagem integrada que inclua a gestão eficiente da água, a disponibilização de mão de obra qualificada e a criação de condições dignas para todos os trabalhadores. Leia também: A importância da água na agricultura sustentável.
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Fonte: Sapo





