Os sindicatos de professores manifestaram hoje a sua preocupação em relação aos problemas verificados na classificação dos exames nacionais do ensino secundário. Apesar das dificuldades, garantiram que os docentes continuarão a estar disponíveis para a 2.ª fase dos exames. Esta posição foi expressa após reuniões com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), onde o tema dos exames não estava na agenda, mas acabou por ser discutido.
Um dos secretários-gerais da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) destacou que, embora o processo de exames tenha sido caótico, a dedicação dos professores foi fundamental para evitar uma situação ainda mais grave. Este ano, cerca de 300 mil exames foram avaliados em formato digital, mas surgiram várias falhas técnicas que levantaram preocupações.
O ministro da Educação reconheceu os problemas na classificação e assegurou que nenhum aluno será prejudicado. No entanto, cinco dias após a divulgação dos resultados, continuam a ser identificados erros nas classificações e digitalizações das provas. José Feliciano Costa, da Fenprof, sublinhou que “nenhum aluno pode ter garantias na nota que saiu”, apontando que o número reduzido de candidaturas ao ensino superior no primeiro dia do prazo (304, comparado com 10 mil no ano anterior) reflete essa desconfiança.
A segunda fase dos exames nacionais, que começou na terça-feira, será avaliada com o mesmo modelo de classificação digital. Apesar das promessas do MECI de que os problemas foram resolvidos, os sindicatos permanecem apreensivos. Júlia Azevedo, presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE), expressou a esperança de que a experiência da primeira fase ajude a prevenir novas falhas.
A presidente do SIPE também garantiu que há docentes suficientes para assegurar tanto as classificações dos exames da segunda fase, que termina na sexta-feira, como os pedidos de reapreciação. Esta afirmação foi corroborada por Pedro Barreiros, secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE).
Barreiros lamentou que as escolas, ao longo dos anos, tenham sido constantemente chamadas a resolver problemas que não foram criados nem pelos professores nem pelos alunos. Apesar dos atrasos na divulgação das notas, o Ministério da Educação manteve os calendários da primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior, que termina a 6 de agosto, e da segunda fase dos exames.
Foi, no entanto, criada uma época especial de exames, a decorrer entre 3 e 8 de setembro, aberta a todos os alunos elegíveis para as provas na segunda fase, independentemente de as terem realizado ou não. José Feliciano Costa afirmou que a Fenprof estará “muito atenta” à defesa dos direitos dos trabalhadores, incluindo o direito a férias e ao pagamento de trabalho suplementar.
Com o regresso às aulas agendado para 11 de setembro, poucos dias após o fim da época especial, o secretário-geral da Fenprof alertou que “a serenidade e a tranquilidade com que deve abrir sempre um ano letivo estão claramente comprometidas”. Daniel Martins, do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop), defendeu que o ministro da Educação deve assumir as suas responsabilidades, afirmando que o falhanço no processo foi total.
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Fonte: Sapo





