Colocação de médicos de família causa preocupação entre sindicatos

A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) expressou hoje a sua indignação relativamente ao atraso de quatro meses na colocação de médicos de família nos centros de saúde. Este período, que se seguiu ao término da formação dos novos especialistas em março, levanta questões sobre a eficiência do sistema de saúde em Portugal.

Os médicos recém-especializados apenas puderam escolher vagas em junho e iniciaram funções em julho, o que, segundo a Fnam, é incompreensível num país que enfrenta uma grave carência de médicos de família. Este atraso representa “quatro meses perdidos” para cerca de 1,6 milhões de utentes que ainda não têm um especialista de medicina geral e familiar atribuído.

O concurso nacional realizado recentemente disponibilizou 711 vagas, todas solicitadas pelas unidades locais de saúde (ULS), resultando na colocação de 273 médicos de família. Com a entrada destes novos profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), será possível atribuir médico de família a aproximadamente 400 mil utentes. Contudo, a Fnam destaca que a questão não se resume apenas à abertura de concursos, mas sim à necessidade de tornar o SNS mais atrativo para a fixação de médicos de família.

Dos 441 candidatos admitidos, apenas 62% escolheram uma vaga disponível, o que levanta preocupações sobre a atratividade do SNS. A Fnam defende que é essencial conhecer e respeitar os calendários anuais de concursos, abrir os processos de seleção logo após a conclusão da formação e manter as vagas não preenchidas abertas continuamente.

A situação é ainda mais alarmante quando se considera que, em maio, mais de 1,6 milhões de pessoas não tinham médico de família, com cerca de 1,1 milhões localizadas na região de Lisboa e Vale do Tejo, a mais carenciada do país. Em contraste, o Norte de Portugal apresenta uma cobertura de medicina geral e familiar bastante superior.

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A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) afirmou que o recente concurso contribuiu para reforçar os cuidados de saúde primários em todas as regiões, com um aumento no número de médicos colocados em comparação com o ano anterior. No entanto, a Fnam insiste que é crucial entender por que 38% dos candidatos admitidos optaram por não ingressar no SNS, sugerindo que o Ministério da Saúde deve auscultar os médicos que recusaram as vagas para identificar os motivos e implementar medidas que revertam esta situação.

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Fonte: Sapo

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