Caso Luís Neves compromete credibilidade do PSD e do Governo

Em entrevista à SIC-Notícias, Rui Rio, antigo líder do PSD, manifestou a sua preocupação com a credibilidade do PSD e do Governo, em virtude do caso envolvendo o ministro da Administração Interna, Luís Neves. Rio afirmou que, se estivesse no lugar do primeiro-ministro, teria exigido esclarecimentos imediatos a Neves e, caso estes não fossem satisfatórios, teria procedido à sua demissão.

O ex-líder do PSD considera que as suspeitas que pairam sobre Luís Neves só podem ser resolvidas com explicações rápidas e claras. Caso contrário, tanto o PSD como o Governo e o PS estarão a dar “um verdadeiro ‘filet mignon’ ao Chega”, partido que já anunciou a intenção de abrir um inquérito parlamentar sobre o caso. Rui Rio sublinhou que este é um momento crítico e que a situação é “profundamente nociva” para os sociais-democratas, diferenciando-a de outros problemas que apenas afetaram o ministro da Educação.

Rio referiu que este caso é “um caso de regime” e “um caso ético”, que está a abalar profundamente a credibilidade do PSD. Para ele, a falta de esclarecimentos faz com que os portugueses vejam Luís Neves como intocável, tanto pelas suspeitas quanto pela sua recusa em prestar contas. “Ao permitir esta situação, o PSD e o Governo estão a descredibilizar-se estruturalmente”, lamentou.

Questionado sobre se a polémica poderia afetar o Presidente da República, Rui Rio admitiu que sim, embora compreenda que António José Seguro não possa comentar publicamente. “Espero que o Presidente da República tenha falado com o primeiro-ministro, mas se isto continuar em lume brando, acabará por sobrar para o Presidente”, alertou.

Rio também criticou a forma como o PS tem lidado com a situação, considerando intrigante que o partido ataque ferozmente outros casos, enquanto este, que é muito mais grave do ponto de vista ético, é tratado com “paninhos quentes”. Ele expressou uma maior compreensão pelo inquérito parlamentar do Chega sobre os mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária do que pelo do PS sobre os exames nacionais.

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Na sexta-feira, Luís Neves reiterou que prestará esclarecimentos sobre as obras na sua casa e sobre um atrelado encontrado na empresa do construtor responsável pelos trabalhos. A polémica começou a ganhar destaque a 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que Neves contratou uma empresa que anteriormente tinha realizado obras na PJ, enquanto ele era diretor nacional.

A Polícia Judiciária anunciou a abertura de um inquérito sobre o atrelado apreendido no âmbito de um processo de tráfico de droga, que estava ligado a uma empresa que fez obras numa propriedade do ministro. A Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos no processo designado ‘Operação Pacoba’.

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Fonte: Sapo

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