Rússia busca recuperar influência económica no Médio Oriente

A Rússia está a tentar recuperar a sua influência económica no Médio Oriente, uma região onde a sua presença foi significativamente reduzida desde a década de 1970. A expulsão dos conselheiros militares soviéticos do Egipto pelo presidente Anwar Sadat, em 1972, marcou o início de um afastamento que se alargou a outros países árabes, incluindo Israel. Com o fim do regime de Bashar al-Assad na Síria previsto para dezembro de 2024, Moscovo vê uma oportunidade para reerguer a sua influência.

Recentemente, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, estabeleceu contacto com o seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, para discutir uma possível paz na região. Esta conversa surge num contexto de tensões crescentes, onde a Rússia procura posicionar-se como um mediador. Na terça-feira, a Rússia e a Liga Árabe realizaram consultas de alto nível, onde se abordou a situação no Golfo Pérsico e a agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou a necessidade de uma solução política e diplomática, enfatizando a importância de uma estrutura de segurança sustentável na região.

Um dos principais pilares da estratégia russa para aumentar a sua influência económica é o projeto da Rosatom, a empresa estatal de energia nuclear. A Rosatom está a construir a primeira central nuclear comercial do Egipto, em El Dabaa, que contará com quatro reatores de 1.200 MW cada. Este projeto não só representa um investimento significativo, mas também simboliza o regresso da Rússia ao sector energético da região. A empresa russa fornecerá não apenas a construção e o combustível nuclear, mas também serviços de operação e manutenção a longo prazo.

No Irão, a Rosatom já tem uma presença consolidada, operando a central nuclear de Bushehr e estando envolvida na expansão de unidades adicionais. Apesar dos desafios impostos pelos conflitos regionais, a Rosatom reafirmou o seu compromisso com o desenvolvimento nuclear no Irão, onde discutia planos para um segundo parque nuclear antes do agravamento das tensões.

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A recuperação da influência económica da Rússia no Médio Oriente é, portanto, um processo que envolve tanto a diplomacia quanto investimentos estratégicos em sectores críticos como a energia. Com o aumento das tensões na região, a Rússia parece determinada a reafirmar-se como um actor relevante, capaz de moldar o futuro económico e político do Médio Oriente.

Leia também: A importância da energia nuclear na geopolítica contemporânea.

influência económica influência económica Nota: análise relacionada com influência económica.

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Fonte: Sapo

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