Luís Rodrigues assumiu a liderança da TAP em abril de 2023, num contexto de pressão operacional e laboral. Ao chegar ao terceiro ano de mandato, a companhia aérea apresenta resultados positivos e o processo de privatização está em fase avançada.
Quando tomou posse, a TAP ainda estava a implementar um plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia, após receber apoio estatal. A companhia enfrentava limitações na expansão das operações, tensões sindicais e um histórico de conflitos laborais acumulados pela gestão anterior, liderada por Christine Ourmières-Widener. Proveniente da açoriana SATA, também em reestruturação, Luís Rodrigues regressou à TAP, onde já tinha exercido funções executivas entre 2009 e 2014. Na sua tomada de posse, Rodrigues enfatizou a importância de dialogar com os representantes sindicais e de avaliar o impacto dos cortes salariais impostos pela reestruturação.
O processo negocial que se seguiu resultou na revisão dos acordos de empresa e na eliminação gradual dos cortes salariais, com a TAP a alcançar entendimentos com a maioria das estruturas sindicais. Em 2025, a companhia registou um resultado líquido de 46,1 milhões de euros, excluindo um impacto extraordinário de 42 milhões de euros relacionado com IRC, assegurando assim o quarto ano consecutivo de lucros. O número de passageiros também cresceu, passando de 15,9 milhões em 2023 para 16,7 milhões em 2025, apesar das limitações de capacidade, especialmente na infraestrutura aeroportuária de Lisboa.
A atividade de manutenção da TAP também evoluiu, com receitas a atingir 77,9 milhões de euros no quarto trimestre de 2025, um aumento de 9,5% face ao ano anterior. Esta evolução faz parte da estratégia de diversificação da companhia, que tem no reforço da manutenção um dos seus eixos principais. O plano de reestruturação foi concluído, com a Comissão Europeia a reconhecer que todas as medidas exigidas foram implementadas atempadamente, permitindo à TAP restabelecer a sua viabilidade a longo prazo.
No âmbito das obrigações da reestruturação, a TAP avançou com a alienação de participações na Cateringpor e na SPdH, com a venda de 51% da Cateringpor ao grupo suíço Gate Gourmet já concluída. Durante o seu mandato, Luís Rodrigues também fez alterações na estrutura de governação, acumulando inicialmente as funções de presidente executivo e chairman, antes de estas serem separadas formalmente em 2025.
O segundo ano de mandato foi marcado por uma greve convocada pelo Sindicato dos Pilotos da Portugália, enquanto o contencioso judicial com tripulantes de cabine, relacionado com questões salariais, teve impacto significativo no plano laboral da companhia. A estratégia da TAP centrou-se no reforço da rede transatlântica, com especial atenção ao Brasil e aos Estados Unidos. Para 2026, está prevista a expansão da operação a partir do Porto e o desenvolvimento de um hub de manutenção.
Neste terceiro ano de liderança, o processo de privatização avança, com a Parpública a receber propostas não vinculativas dos grupos Air France-KLM e Lufthansa. Os interessados destacam o potencial da TAP, especialmente na rede para o Brasil e no hub de Lisboa. O modelo de privatização prevê a alienação de até 44,9% da companhia, com 5% reservado para os trabalhadores. O Governo espera concluir o processo até ao verão, marcando uma nova fase na estrutura acionista da TAP.
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Fonte: Sapo





