Um estudo recente revela que um em cada três jovens europeus não tem interesse em ter filhos. Esta tendência, que se destaca no contexto europeu, reflete uma mudança demográfica significativa que pode ter implicações profundas para o futuro das sociedades.
Entre 2015 e 2025, o mundo perdeu mais de 14,3 milhões de crianças com idades entre os 0 e os 9 anos. As projeções do Banco Mundial indicam que essa tendência de declínio continuará, com uma nova diminuição global de 10,4 milhões de crianças até 2035. O fenómeno, conhecido como “inverno demográfico”, afeta principalmente a Europa, a Rússia e a China, enquanto África se destaca como a única região em crescimento.
Na Europa, a situação é alarmante. O continente perdeu mais de 9,2 milhões de crianças entre 2015 e 2025, o que representa uma quebra de 12% da sua população infantil. As previsões para a próxima década indicam uma nova redução de 9,3 milhões, ou 13%. Este declínio acentuado da pirâmide etária levanta preocupações sobre a sustentabilidade dos sistemas sociais, desde a educação até as pensões.
Em Portugal, a situação é igualmente preocupante. O país tem assistido a uma rápida transformação demográfica, com a pirâmide etária a mudar de forma clássica para uma estrutura mais semelhante a uma “bomboneira”. A taxa de fecundidade em Portugal é de apenas 1,34 filhos por mulher, muito abaixo dos 2,1 necessários para garantir a renovação das gerações. Este cenário é resultado de uma queda acentuada desde os anos 60, impulsionada por mudanças sociais, como o aumento da escolaridade e a participação das mulheres no mercado de trabalho.
O IV inquérito internacional sobre o Estado de Saúde dos Europeus da Merck, que envolveu mais de 2.500 jovens das gerações Z e millennial, revela que 33% dos inquiridos desejam ter dois filhos, enquanto 27% só querem um e 9% desejam ter três ou mais. Este estudo também destaca que, apesar de 80% dos jovens se sentirem informados sobre contraceção, apenas 67% acredita estar bem informado sobre fertilidade.
A idade média para o nascimento do primeiro filho em Portugal já ultrapassa os 30 anos, refletindo uma tendência europeia de adiamento da maternidade. Os jovens consideram que ter acesso a opções de preservação da fertilidade numa idade mais jovem lhes daria mais liberdade para decidir sobre a parentalidade.
O retrato demográfico que emerge é preocupante. A Europa enfrenta uma escassez estrutural de nascimentos, enquanto a África continua a crescer. O futuro das sociedades europeias dependerá da forma como estas responderão a estas mudanças demográficas.
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Fonte: Sapo





