Em Portugal, as famílias estão a poupar mais do que nunca, com uma taxa de 15,7% do rendimento disponível, um máximo histórico. Contudo, este aumento da poupança contrasta com a preocupação de muitos portugueses em relação à sua situação financeira na reforma. Apenas 42% dos europeus acreditam ter recursos suficientes para viver confortavelmente após a aposentadoria, e menos de 20% possuem uma pensão privada.
Este paradoxo pode ser explicado pela forma como os portugueses encaram a poupança: muitos poupam por medo, e não por estratégia. A memória da pandemia, da inflação de 2022 e da instabilidade geopolítica levou a uma geração de poupadores defensivos. O dinheiro é frequentemente colocado em depósitos, que funcionam como um escudo emocional. Em Portugal, a tendência é semelhante à da Alemanha, onde 83% dos ativos financeiros das famílias estão em depósitos. Em contraste, nos Estados Unidos, as famílias investem mais de três vezes em ações e fundos do que em depósitos.
Este comportamento tem consequências significativas. O retorno médio de um depósito em euros é de cerca de 1% ao ano, enquanto o retorno histórico do MSCI World é de 13,7% ao ano. Para ilustrar, dois poupadores que investem 250 euros por mês durante dez anos obtêm resultados muito diferentes: quem coloca tudo em depósitos acumula cerca de 33.000 euros, enquanto quem diversifica para mercados globais pode chegar a 51.000 euros, tudo com o mesmo esforço mensal.
Além disso, em Portugal, muitos ainda veem a casa como o plano de reforma ideal. Durante décadas, a ideia foi comprar e manter o imóvel, acreditando que, ao chegar à reforma, teriam um património acumulado. No entanto, muitos proprietários seniores descobrem que, apesar de terem um ativo significativo, a sua pensão é insuficiente para cobrir as despesas do dia a dia.
Desde 2019, a legislação portuguesa permite que quem tem 65 anos ou está reformado transforme as mais-valias da venda da habitação própria em rendimento regular, isento de IRS, ao reinvestir num fundo de pensões. Esta possibilidade é uma forma de converter um ativo valioso numa pensão privada, sem pagar impostos sobre os ganhos acumulados ao longo dos anos.
No entanto, o problema é que muitos desconhecem esta opção ou não a conhecem a tempo. A literacia financeira é crucial neste contexto. Uma família que vendeu a casa por 280.000 euros, com uma mais-valia de 180.000 euros, pode ter perdido entre 35.000 e 45.000 euros em impostos que poderiam ter sido evitados.
Os dados do EIOPA revelam que 64% dos europeus não compram produtos financeiros além-fronteiras, e a complexidade e os custos elevados continuam a ser barreiras significativas. A solução não está em complicar ainda mais as opções, mas sim em oferecer clareza.
A investigação europeia indica que a poupança sozinha não é suficiente. É essencial entender para quê, como e com que horizonte temporal se poupa. A isenção fiscal nas mais-valias imobiliárias é um exemplo de como um instrumento bem desenhado pode transformar uma decisão patrimonial numa alavanca de segurança na reforma.
Enquanto os salários reais aumentam e as taxas de poupança atingem máximos históricos, é fundamental aproveitar esta janela de oportunidade. A questão é se continuaremos a guardar dinheiro em depósitos a 1% por medo ou se começaremos a transformar essa poupança em riqueza com um propósito.
A diferença entre os dois caminhos não reside nos mercados financeiros, mas na informação. E essa parte, podemos mudar.
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Fonte: Doutor Finanças




