Europa pode manter potência económica em regime multipolar

A Europa tem a capacidade de continuar a ser uma potência económica internacional, mesmo num contexto de crescente fragmentação geopolítica e declínio da ordem unipolar, segundo Vítor Constâncio, antigo vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE). Esta análise foi apresentada durante o 11º Congresso Nacional dos Economistas, que decorreu em Lisboa.

Constâncio sublinhou que o colapso da hegemonia dos EUA traz consigo desafios significativos, mas também oportunidades para a Europa. Apesar de as instituições internacionais estarem a perder influência e de o autoritarismo e protecionismo estarem a aumentar, a Europa pode ainda garantir a sua resiliência económica. O antigo governador do BCE acredita que, mesmo que a globalização esteja a declinar, a Europa poderá manter-se como uma potência económica, embora não consiga transformar o euro numa moeda global ou tornar-se uma superpotência militar.

O cenário que Constâncio antecipa é o de um “regime multipolar fragmentado”, onde a globalização não desaparece completamente, mas se transforma. Neste novo contexto, a Europa terá de lidar com a formação de blocos comerciais e financeiros, o que poderá alterar as dinâmicas económicas globais. Em comparação com uma possível reversão das tendências populistas e nacionalistas, o antigo vice-presidente vê uma maior probabilidade de este cenário adverso se concretizar.

Em termos económicos, Constâncio destacou que a diferença entre a economia europeia e a norte-americana é menor quando analisada pela paridade de poder de compra. Esta análise revela algumas vantagens comparativas da Europa, que se traduzem numa menor duração do trabalho, maior equidade social e uma esperança de vida superior à dos EUA. Assim, a União Europeia (UE) proporciona aos seus cidadãos um elevado nível de vida, com equilíbrios orçamentais e externos mais favoráveis do que os dos EUA, num ambiente aberto à concorrência internacional.

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No entanto, a Europa enfrenta desafios geopolíticos significativos. Constâncio alertou que, apesar do seu estatuto económico, o espaço europeu pode tornar-se o “mais fraco dos poderes regionais”, devido à falta de unidade política. Esta fragmentação impede a Europa de desenvolver uma política de defesa comum e um regime de dissuasão nuclear coletivo, fatores que são cruciais para a sua influência no cenário internacional.

A análise de Vítor Constâncio levanta questões importantes sobre o futuro da Europa como potência económica. A capacidade de adaptação e a resiliência económica serão fundamentais para enfrentar os desafios que se avizinham. Leia também: O impacto da fragmentação geopolítica na economia europeia.

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Fonte: Sapo

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