“IA e Risco Financeiro: A Nova Abordagem dos Boards”

Joana Pinto, sócia da área de Technology Transactions na Antas da Cunha Ecija, tem uma vasta experiência no setor tecnológico, acumulando mais de 25 anos em multinacionais e no setor público. A sua carreira inclui passagens pela Accenture, Sonaecom e Capgemini, onde desenvolveu uma visão prática sobre a interseção entre a lei e a tecnologia. Licenciada em Direito pela Universidade Católica de Lisboa, Joana também possui formação em AI Governance e é docente convidada no LL.M. AI & Law.

Recentemente, Joana partilhou a sua perspetiva sobre como os boards mais preparados estão a tratar a inteligência artificial (IA) da mesma forma que tratam o risco financeiro. Para ela, a proximidade ao negócio é fundamental. “A questão já não é apenas ‘o que diz a lei’, mas sim ‘avançamos agora ou esperamos? Com que margem de risco?'”, explica. Esta abordagem é essencial, pois o direito é apenas uma variável dentro de uma equação mais ampla.

Na Antas da Cunha Ecija, Joana encontrou uma cultura que combina conhecimento jurídico e tecnológico, o que facilita a sua adaptação ao novo ambiente. “O nosso posicionamento na advocacia em tecnologia é forte porque juntamos equipas multidisciplinares e uma estrutura de LegalTech que operacionaliza a conformidade”, afirma. A capacidade de transformar requisitos regulatórios em regras de decisão é um diferencial importante, especialmente quando se fala de dados, cloud e cibersegurança.

Joana identifica várias tendências que vão moldar o futuro da IA e do risco financeiro. A evolução da IA assistiva para sistemas com maior autonomia decisional é uma delas. “Responsabilidade e supervisão contínua tornam-se estruturais”, diz. Além disso, a regulação digital está a entrar numa fase aplicada, onde a governança se transforma de um documento em um modelo operativo. A tecnologia, antes vista como um tema de IT, agora é uma questão de risco reputacional e financeiro que deve ser monitorizada de perto pelos administradores.

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Na área de Technology Transactions, Joana destaca dois grandes blocos de projetos: a transformação da função jurídica e a adoção de IA. “Estamos a ver um crescimento significativo de projetos relacionados com o AI Act, que incluem a classificação de sistemas e a definição de modelos de governança”, explica. A integração da IA nos processos organizacionais não deve ser subestimada, pois a qualidade dos dados e a capacidade de manter evidências são cruciais para o sucesso.

Os desafios jurídicos associados à adoção de soluções de IA são significativos, especialmente em setores que impactam diretamente as pessoas. A responsabilidade não desaparece com a delegação de decisões a sistemas de IA. “O verdadeiro desafio de governance é garantir que a tecnologia não dilui a accountability”, alerta Joana.

Para conciliar inovação e conformidade regulatória, Joana sugere boas práticas de governance. A primeira é entender que a governance de IA não é uma política isolada, mas uma estrutura de decisão. Antes de adotar uma ferramenta, é essencial questionar a sua finalidade e impacto. A classificação do risco e a monitorização contínua são pilares críticos para garantir que a IA é utilizada de forma responsável.

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Fonte: ECO

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