No 25 de Abril de 2026, a sessão solene comemorativa da Revolução dos Cravos foi marcada por dois discursos que prometem ficar na memória coletiva do país. O Presidente da República abordou temas cruciais como a participação dos jovens na democracia, o financiamento dos partidos políticos e a desigualdade salarial entre homens e mulheres.
Com um cravo vermelho na lapela, símbolo da liberdade, o Presidente expressou a sua gratidão aos capitães de Abril, afirmando que “deram-nos mais do que o fim da ditadura, deram-nos a liberdade de escolher o nosso caminho”. Citou pensadores como José Gil e Sophia de Mello Breyner, culminando a sua intervenção com a frase: “O 25 de Abril foi um nascimento”.
Um dos momentos mais impactantes do discurso foi quando António José Seguro, que tinha apenas 22 anos durante a Revolução, fez um apelo direto aos jovens: “Não sejam espectadores da democracia, sejam protagonistas”. O ex-líder do PS incentivou a juventude a não se resignar e a lutar por um futuro melhor, enfatizando que a defesa da democracia está nas suas mãos. “Quando recusam a desinformação e procuram a verdade; quando enfrentam o discurso de ódio com coragem; quando participam na vida democrática, votando, debatendo, exigindo; quando não aceitam a corrupção como inevitável; quando lutam por igualdade de oportunidades – para vós e para os outros”, disse.
Rui Tavares, porta-voz do Livre, também fez um discurso significativo, convocando a coragem dos que resistiram à ditadura. “Lancemos hoje nós também o nosso grito de ‘Viva a República’, em saudação do povo que está com a democracia e que vai sempre levar de vencida qualquer tentativa de impor mentiras ou distorções”, afirmou, numa clara referência à importância da memória histórica do 25 de Abril.
Em apenas sete minutos, Tavares fez uma viagem pela história do século XX, relembrando os eventos que levaram à queda da Primeira República e ao estabelecimento do Estado Novo. “Eles (os deputados) e elas (as operárias), há 100 anos, nesta casa, não sabiam que viria aí a ditadura mais longa da Europa Ocidental”, destacou, referindo-se ao caos político da época.
O orador recordou ainda a revolta de 1927 em Lisboa, que se seguiu a outra no Porto, conhecida como a revolta do remorso. “E aí estavam, vejam só, todos os políticos que tinham estado desavindos antes, porque depois tinham o remorso de terem deixado perder a República”, alertou, dirigindo-se diretamente aos seus colegas.
Os discursos do 25 de Abril de 2026 não só celebraram a liberdade conquistada, mas também serviram como um lembrete da importância da participação cívica e da vigilância democrática. A história, como bem disse Hegel, tende a repetir-se, e cabe a cada geração assegurar que os erros do passado não se repitam.
Leia também: A importância da educação cívica nas escolas.
25 de Abril Nota: análise relacionada com 25 de Abril.
Leia também: Parceria entre ADENE e APAL impulsiona setor do alumínio
Fonte: Sapo





