Um ano após o apagão: a interdependência entre água e eletricidade

Faz um ano que a Península Ibérica enfrentou um apagão histórico, que ocorreu às 11h33 do dia 28 de abril de 2025. Este evento sem precedentes resultou na perda generalizada do fornecimento de eletricidade, afetando a mobilidade, as comunicações e serviços essenciais. Embora a análise técnica do colapso elétrico já tenha sido feita, é crucial refletir sobre o que este apagão nos ensinou sobre a dependência entre água e eletricidade.

A pergunta “onde estavas tu no dia do apagão?” tornou-se um tema comum nas conversas. Cada um de nós guarda uma memória desse dia: semáforos apagados, elevadores parados e a necessidade de improvisar. Eu, por exemplo, dirigi-me ao centro de operações da EPAL, onde percebi que, em situações como esta, a energia e a água deixam de ser meras infraestruturas e tornam-se condições essenciais.

No centro de operações, testemunhei a equipa do setor da água a trabalhar sob pressão extrema para garantir o fornecimento de água, mesmo com recursos limitados. A resposta foi rápida e focada no essencial: operar sistemas críticos, gerir reservas e assegurar a qualidade da água. O apagão evidenciou que a falha elétrica desencadeia uma série de dependências que são difíceis de antecipar em tempos normais.

Após o apagão, a ERSAR recolheu informações das entidades gestoras e partilhou lições importantes. Algumas dessas lições incluem a necessidade de reforçar a capacidade de operação manual, identificar fontes alternativas de energia e garantir meios de abastecimento de emergência. Embora tenha havido desconforto entre as entidades, a regulação é fundamental para transformar aprendizagens em melhorias estruturais.

O apagão também destacou a complexidade do nexo entre água e eletricidade. Por um lado, a energia é necessária para produzir, tratar e distribuir água; por outro, a água é essencial para a produção e distribuição de eletricidade. A dessalinização de água do mar, por exemplo, é uma solução viável, mas energeticamente exigente, o que significa que o custo da eletricidade impacta diretamente o preço da água dessalinizada.

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Além disso, o Grupo Águas de Portugal é o maior consumidor de eletricidade em Portugal, o que demonstra como a política energética afeta a sustentabilidade económica do ciclo urbano da água. Na reposição do sistema elétrico após o apagão, a capacidade de arranque autónomo foi crucial, e o debate pós-apagão levou a um alargamento das centrais com essa função.

A digitalização e a descarbonização também aumentam as interdependências entre os setores. Data centers, que são essenciais para a digitalização, requerem tanto eletricidade quanto água para arrefecimento. Assim, o crescimento da infraestrutura digital exerce pressão adicional sobre os recursos hídricos. A produção de hidrogénio, por sua vez, também depende da disponibilidade de água, tornando essencial integrar a gestão hídrica em qualquer estratégia relacionada.

Em resumo, um ano após o apagão, é evidente que a resiliência não se constrói apenas em apresentações, mas sim através de treino e redundância. A água e a eletricidade devem ser planeadas em conjunto, e a autonomia energética das infraestruturas críticas deve ser real e verificável. O apagão foi um ensaio involuntário, e o próximo não deve apanhar-nos desprevenidos.

Leia também: a importância da resiliência nas infraestruturas críticas.

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Fonte: ECO

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