A época de escaladas ao monte Evereste, a montanha mais alta do mundo, já começou. Entre os poucos portugueses que conseguiram alcançar o cume estão João Garcia, em 1999, e Maria da Conceição, em 2013. Além do Evereste, ambos também conquistaram o K2, a segunda montanha mais alta do planeta. A história de Maria é inspiradora e digna de um filme. Criada como filha adotiva por Maria Cristina, uma refugiada angolana, Maria da Conceição encontrou no alpinismo uma forma de sustentar um projeto social que visa garantir educação a crianças em necessidade.
O seu percurso não começou por um sonho de ser alpinista, mas por uma necessidade urgente de manter viva a Fundação Maria Cristina, que já há mais de duas décadas transforma vidas através da educação. O alpinismo tornou-se, assim, um meio de criar oportunidades para os outros. Cada passo que Maria dá nas montanhas é uma forma de dar esperança a crianças que dependem do seu trabalho.
Maria não romantiza o risco das montanhas. Para ela, o cume é apenas metade do caminho, e a adversidade é um terreno fértil para o crescimento pessoal. Ao ser questionada sobre a sua motivação para escalar, Maria explica que começou por necessidade, mas a montanha acabou por se tornar um espelho que a força a enfrentar quem realmente é.
O seu treino diário varia entre 2 a 6 horas, incluindo exercícios de força, resistência e longas caminhadas. Para Maria, o respeito pela montanha e a preparação física e mental são essenciais. A sua missão continua a ser a mesma: criar oportunidades para crianças através da educação. Quando chegou ao topo do Evereste, a sensação não foi de euforia, mas de uma profunda consciência do risco e da responsabilidade que carrega.
Maria da Conceição é também a primeira mulher portuguesa a ter atingido o cume do K2, uma experiência que descreve como uma das mais exigentes da sua vida. O K2 não permite erros e exige um respeito absoluto. Apesar de ser uma conquista rara em Portugal, a visibilidade que a montanha lhe deu ajudou a amplificar a sua missão social.
As alterações climáticas têm mudado as condições de escalada, tornando-as mais instáveis e imprevisíveis. Maria afirma que o que leva as pessoas a escalar é a busca por significado e superação. Contudo, alerta que a preparação e o respeito pelos riscos são fundamentais.
Atualmente a viver nos Emirados Árabes Unidos, Maria sente os efeitos da instabilidade económica na sua missão. No entanto, continua a adaptar-se e a seguir em frente. Com uma história de vida marcada por desafios, desde lesões a pressões financeiras, Maria nunca considerou parar. Para ela, cada desafio é uma oportunidade de evolução.
Maria da Conceição tem vários recordes, mas para ela, não se trata de superação pessoal, mas sim de crescimento e impacto. A sua frase motivacional é clara: “Vou sempre voltar mais forte.” O que realmente importa, segundo Maria, é o propósito maior que a move: criar oportunidades reais através da educação.
No final, Maria acredita que os maiores cumes não são aqueles que se alcançam sozinhos, mas sim aqueles que se ajudam outros a conquistar. A sua história é um testemunho de resiliência e dedicação, mostrando que, mesmo nas condições mais adversas, é possível fazer a diferença na vida de muitos.
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Fonte: Sapo





