Centros de dados enfrentam desafios energéticos cruciais

Os centros de dados tornaram-se infraestruturas vitais para a economia moderna, suportando não apenas a economia digital, mas também a analógica. A inteligência artificial, a computação em nuvem e os serviços financeiros dependem destas instalações que operam ininterruptamente, exigindo uma disponibilidade quase total. Esta necessidade de continuidade resulta numa procura intensa e crescente de eletricidade. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), os centros de dados consomem atualmente cerca de 1,5% da eletricidade mundial, e este consumo poderá mais do que duplicar, atingindo quase 945 TWh até 2030, impulsionado principalmente pela crescente utilização da inteligência artificial.

No entanto, o contexto em que este crescimento se verifica mudou drasticamente. As tensões geopolíticas, as disputas sobre a soberania digital e os quadros regulamentares cada vez mais exigentes em relação ao acesso à energia transformaram a forma como os centros de dados operam. Por exemplo, em 2025, a fatura do gás do setor energético da União Europeia ascendeu a 32 mil milhões de euros, um aumento de 16% em relação ao ano anterior, refletindo a dependência da Europa de combustíveis importados e a diminuição da produção de energia hidroelétrica. Este cenário impactou fortemente os grandes consumidores, incluindo os centros de dados.

A energia deixou de ser uma simples variável operacional. Agora, é um fator estrutural que pode determinar a viabilidade de um projeto. Em Portugal, os centros de dados representam 72% da potência total solicitada à REN, concentrando-se principalmente em áreas litorais e industriais. Contudo, a capacidade de ligação à rede elétrica tornou-se um recurso crítico, com o aumento dos pedidos a pressionar a infraestrutura existente.

O enquadramento regulamentar português está alinhado com a Diretiva de Eficiência Energética da União Europeia, que introduz novas obrigações de reporte para centros de dados com potência instalada igual ou superior a 500 kW. Estas obrigações incluem a divulgação do consumo energético e hídrico, a utilização de energia renovável e indicadores de eficiência. Os dados devem ser reportados anualmente a uma base de dados europeia comum, promovendo a transparência e a eficiência.

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Portugal destaca-se pela sua elevada incorporação de energias renováveis, com a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis a atingir cerca de 37 TWh em 2025, representando mais de dois terços do consumo nacional. Este cenário oferece uma vantagem competitiva na atração de centros de dados, especialmente numa altura em que os investidores procuram locais com baixo custo de carbono e acesso a energia limpa. Contudo, o acesso à rede elétrica continua a ser um constrangimento significativo.

A pressão para comprovar a origem da energia e a crescente regulamentação sobre as pegadas de carbono colocam a energia limpa no centro da estratégia dos centros de dados. Num ambiente internacional volátil, as energias renováveis emergem como uma solução para garantir estabilidade e independência energética. A ligação do consumo de eletricidade a ativos de produção específicos reduz a exposição aos mercados internacionais e proporciona uma rastreabilidade essencial.

O armazenamento de energia também se torna crucial para enfrentar a variabilidade das energias renováveis. A integração de sistemas de armazenamento em baterias permite otimizar a capacidade contratada e reforçar a resiliência face a incidentes na rede. Em 2025, a implantação de baterias na UE acelerou, com projetos à escala da rede a surgirem em toda a Europa.

A decisão sobre onde construir e qual a capacidade a instalar já não é suficiente. É vital garantir uma arquitetura energética que responda a novos requisitos regulamentares e a um ambiente geopolítico incerto. Aqueles que integrarem a estratégia energética desde a fase de conceção estarão melhor posicionados para liderar a transformação do setor. A energia deixou de ser uma despesa operacional; tornou-se uma decisão estratégica que moldará o futuro dos centros de dados.

Leia também: O impacto das energias renováveis na economia portuguesa.

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Fonte: Sapo

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