Um recente inquérito da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) revela que 90% dos professores convidados no ensino superior consideram o ensino a sua principal atividade. No entanto, a maioria destes docentes enfrenta a realidade de ter outro emprego, uma situação que contrasta com a sua preferência por se dedicarem exclusivamente à carreira docente.
O estudo, que contou com a participação de 327 professores entre maio e outubro de 2025, destaca que 84% dos docentes convidados trabalham em regime parcial. Apesar disso, muitos expressam o desejo de exercer funções em dedicação exclusiva. A pressão financeira é um dos principais fatores que leva 62% destes profissionais a procurar uma segunda fonte de rendimento. Dentre eles, 21% lecionam em outras instituições ou níveis de ensino, enquanto 5% acumulam funções de professor com atividades de investigação.
A Fenprof sublinha que, entre os docentes que têm outro emprego, cerca de 70% prefeririam seguir a carreira docente a tempo inteiro. Apenas 10% dos inquiridos não consideram o ensino a sua atividade principal. Além disso, quatro em cada dez docentes manifestam interesse em procurar alternativas profissionais, citando a precariedade contratual, a falta de estabilidade, os baixos salários e a ausência de reconhecimento como motivos principais.
O inquérito revela também que a maioria dos professores convidados sente que a sua presença é essencial para a instituição, uma perceção que se reflete na manutenção prolongada da carga letiva. A Fenprof aponta que o sistema recorre frequentemente aos mesmos docentes durante longos períodos, muitas vezes décadas, para assegurar atividades de ensino recorrentes, mesmo que estas sejam em regime parcial.
Outro dado alarmante é que quase um terço dos professores universitários convidados ultrapassa o limite legal de horas semanais, com 12% no subsistema politécnico. Esta situação evidencia um desajuste entre a carga letiva contratual e a carga efetivamente desempenhada, resultando numa sobrecarga sistemática e na formalização de contratos que não refletem o trabalho real prestado.
O perfil dos docentes convidados também é preocupante: 58% possuem doutoramento, mais de 40% têm pelo menos 10 anos de experiência no ensino superior e a maioria está na faixa etária entre os 40 e 55 anos. Estes dados desafiam a ideia de que o regime de convite se destina apenas a situações transitórias ou a fases iniciais da carreira académica.
A Fenprof defende que muitos docentes doutorados permanecem na mesma categoria durante anos, sem que o seu investimento em qualificação se traduza em progressão profissional. A federação apela a uma intervenção política e institucional que garanta a abertura regular de concursos, a conversão de vínculos precários e o cumprimento dos direitos laborais.
Os resultados do inquérito também revelam indícios de violação dos direitos laborais: 78,5% dos inquiridos não recebem compensação por caducidade de contrato, 44% não têm direito a subsídio de refeição e 33% não conseguem gozar férias durante a vigência contratual. Esta situação exige uma atenção urgente para garantir condições dignas de trabalho aos professores convidados.
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professores convidados professores convidados Nota: análise relacionada com professores convidados.
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Fonte: Sapo





