Minerais críticos: o novo petróleo do século XXI

O mundo moderno depende cada vez mais de tecnologias como carros elétricos, smartphones e inteligência artificial. Para sustentar essa evolução, é fundamental a extração de minerais críticos, como lítio e cobalto, que são essenciais para a energia verde e as transições digitais necessárias para cumprir as metas climáticas. Contudo, um novo relatório do United Nations University Institute for Water, Environment and Health (UNU-INWEH) alerta para os riscos associados a esta extração, que pode transformar esses minerais críticos no “petróleo do século XXI”.

O relatório destaca um “paradoxo da transição”: enquanto a extração de minerais críticos visa reduzir as emissões de carbono, pode também agravar desigualdades sociais e ambientais. O Acordo de Paris exige um aumento significativo na procura por lítio, prevendo-se que a demanda por este mineral cresça nove vezes até 2040, enquanto a necessidade de cobalto e níquel deverá duplicar. O professor Kaveh Madani, vencedor do Prémio da Água de Estocolmo de 2026, afirma que, sem um controlo eficaz, as metas climáticas podem, paradoxalmente, acelerar crises hídricas e de saúde nas comunidades mais vulneráveis.

A extração de minerais críticos não só consome uma quantidade exorbitante de água, como também tem consequências devastadoras para as comunidades locais. Por exemplo, a produção global de lítio em 2024 deverá consumir cerca de 456 mil milhões de litros de água, o que equivale às necessidades anuais de 62 milhões de pessoas na África Subsaariana. No Salar de Atacama, no Chile, a extração de lítio representa até 65% do consumo de água da região, exacerbando a competição com a agricultura e provocando o esgotamento das águas subterrâneas.

Além disso, o relatório revela que a contaminação da água associada à mineração está a provocar emergências de saúde pública. Na República Democrática do Congo, onde se produz a maior parte do cobalto mundial, 72% da população próxima das minas reporta doenças de pele, e 56% das mulheres e raparigas enfrentam problemas ginecológicos. A exploração de minerais críticos, portanto, não se limita a questões ambientais, mas toca diretamente na saúde e no bem-estar das comunidades.

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A África possui 30% das reservas de minerais críticos, com a República Democrática do Congo, Madagáscar e Marrocos a concentrar mais de 50% das reservas de cobalto. Apesar da riqueza mineral, a pobreza e a falta de acesso a água potável persistem, com 64% da população da RDC sem acesso a este recurso essencial. Este cenário levanta questões sobre quem realmente beneficia da extração de minerais críticos.

O relatório conclui que, sem intervenções políticas e normas internacionais rigorosas, a transição energética poderá repetir as injustiças da era dos combustíveis fósseis, criando novas “zonas de sacrifício” em regiões ricas em recursos, mas economicamente marginalizadas. Para garantir que a transição energética seja justa e sustentável, é crucial implementar padrões de diligência obrigatórios, sistemas de monitorização independentes e acordos de partilha de benefícios com as comunidades afetadas.

Leia também: O impacto ambiental da mineração e as suas consequências sociais.

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Fonte: Sapo

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