Crise energética: impacto nos preços dos combustíveis e na economia

A crise energética, que se intensificou com a guerra no Irão, já está a ter repercussões significativas na economia portuguesa e nos preços dos combustíveis. Embora alguns receios, como a escassez de combustíveis, ainda não se tenham concretizado, os efeitos já são visíveis. O economista sénior do Banco Carregosa, Paulo Rosa, destaca que a subida dos preços dos combustíveis fósseis e a sua volatilidade são as consequências mais imediatas da crise energética. Esta pressão nos preços tem um impacto direto nos custos energéticos de países importadores, como Portugal, refletindo-se na inflação e na atividade económica.

Os preços dos combustíveis fósseis dispararam em março, com o petróleo a subir mais de 63% e o gás natural a aumentar quase 50% em relação aos níveis anteriores à guerra. Apesar de algum alívio em abril, os preços mantêm-se elevados, com o gás natural a registar uma valorização significativa em maio. O contrato de gás natural europeu, conhecido como Title Transfer Facility, subiu mais de 80% no primeiro trimestre de 2023, refletindo a instabilidade nos mercados internacionais de energia.

Em Portugal, a situação é preocupante. O preço do gasóleo, que antes da guerra estava em média a 1,599 euros por litro, ultrapassou os 2 euros em março, atingindo um pico de 2,14 euros. A 15 de maio, o gasóleo estava a 1,96 euros, o que representa um aumento de 22,3% em relação ao preço médio anterior à guerra. A gasolina também não escapa a esta tendência, com um aumento de 17% face aos valores anteriores ao conflito.

A crise energética não afeta apenas os consumidores. A aviação mundial já sente os efeitos da subida dos preços dos combustíveis, levando várias companhias aéreas a cancelar voos devido ao aumento do custo do jet fuel, que representa entre 25% e 30% dos custos operacionais. O presidente da Associação Nacional de Agências de Viagem, Miguel Quintas, alerta que este aumento inevitavelmente se refletirá nos preços das passagens aéreas.

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O futuro parece incerto, e o economista Paulo Rosa sublinha que a instabilidade prolongada poderá aumentar a pressão sobre os mercados internacionais de petróleo e gás natural, com consequências diretas nos preços da energia e nos custos de produção. A investigadora Ugne Keliauskaitė, do think tank Bruegel, adverte que, se a situação se agravar, poderemos enfrentar uma verdadeira escassez de combustíveis, elevando ainda mais os preços.

Os governos de vários países europeus, incluindo Portugal, têm tentado mitigar os impactos da crise energética. Até agora, 14 países europeus destinaram mais de 11 mil milhões de euros em medidas fiscais para apoiar os cidadãos nas faturas de energia. No entanto, a forma como esses apoios estão a ser aplicados tem sido criticada, com mais de 72% do montante total a corresponder a medidas não direcionadas.

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Fonte: ECO

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