A inovação nos seguros em Portugal enfrenta um desafio significativo: a presença de sistemas antigos que dificultam a adaptação às novas exigências do mercado. José Gomes, ex-CEO da Ageas, partilha a sua visão sobre a realidade do setor e os obstáculos que as seguradoras enfrentam para modernizar os seus processos.
Após nove anos à frente da Ageas, José Gomes decidiu encerrar este ciclo e dedicar-se a novos projetos. Em entrevista, ele explica que a sua experiência na consultoria e na gestão de seguradoras lhe conferiu uma visão abrangente sobre os desafios do setor. “Os sistemas legados são um entrave à inovação nos seguros. Muitas seguradoras resultam de fusões e mantêm estruturas complexas que dificultam a adaptação”, afirma.
Gomes destaca que a transformação digital é essencial para que as seguradoras consigam responder às necessidades dos clientes de forma eficaz. Contudo, a migração para plataformas modernas requer investimentos elevados e processos complicados. “É um grande desafio modernizar sistemas sem comprometer a operação corrente”, sublinha.
Além de sua experiência no setor segurador, José Gomes também está a explorar novas áreas, como o apoio a startups e o desenvolvimento de projetos focados em novas formas de trabalho para profissionais acima dos 55 anos. Ele acredita que a sociedade precisa repensar a forma como trabalha, especialmente numa era em que a população está a envelhecer, mas ainda possui grande capacidade de contribuição.
A saúde é um dos ramos com maior potencial de crescimento, segundo Gomes. Ele defende que as seguradoras devem ir além do papel tradicional de “payer” e assumir um papel ativo na gestão da saúde dos seus clientes. “A prevenção e o aconselhamento são fundamentais para a seguradora do futuro”, afirma.
No entanto, não é apenas a saúde que apresenta oportunidades. O ramo de vida risco também pode crescer, especialmente fora da lógica tradicional associada ao crédito à habitação. “Muitas pessoas só pensam na proteção financeira quando enfrentam dificuldades”, observa.
José Gomes também critica a falta de cultura de gestão de risco nas pequenas e médias empresas (PME). Muitas vezes, estas empresas não têm as coberturas adequadas, o que se torna evidente em situações de crises, como fenómenos climáticos extremos. “A seguradora do futuro terá de ter um papel mais ativo na identificação de riscos e na resiliência das empresas”, conclui.
A inovação nos seguros é, portanto, uma questão urgente que precisa de ser abordada. A modernização dos sistemas, a adaptação às novas realidades demográficas e a promoção de uma cultura de gestão de risco são passos fundamentais para que o setor possa prosperar. “Leia também: O futuro do trabalho e a importância da experiência sénior”.
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Fonte: ECO





