A Mota-Engil alcançou um resultado líquido de 35 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado marca o melhor desempenho da empresa em um primeiro trimestre, conforme indicado no trading update enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O volume de negócios também cresceu 2%, totalizando 1.394 milhões de euros, enquanto o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) subiu 10%, atingindo 234 milhões de euros, com uma margem de 17%.
O grupo, liderado por Carlos Mota Santos, destacou o crescimento de 11% na faturação em África, impulsionado pelo segmento de engenharia industrial, que cresceu 19%. A Mota-Engil posiciona-se como o maior operador de contract mining em todo o continente africano. Na Europa, a atividade registou uma queda de 29%, com um volume de negócios de 90 milhões de euros, devido a atrasos na consignação e adjudicação de projetos em Portugal. No entanto, a empresa espera uma aceleração da atividade até ao final do ano. Na América Latina, o volume de negócios aumentou para 573 milhões de euros, impulsionado pelo desempenho no México e Brasil.
A Mota-Engil atribui o seu volume de negócios resiliente ao sucesso da sua estratégia comercial e à capacidade de execução disciplinada. A empresa prevê uma aceleração da atividade ao longo de 2026, suportada pela execução das operações em África, pela retoma na América Latina, especialmente no Brasil e México, e pelo desbloqueamento de projetos em Portugal. O guidance para 2026 aponta para um crescimento da faturação entre 10% e 15%, sustentado por uma carteira de encomendas recorde.
No seu plano estratégico “Focus 2030”, apresentado em março, a Mota-Engil ambiciona elevar as receitas anuais para nove mil milhões de euros e aumentar a margem líquida de 3% para 4% até ao final da década. A empresa também planeia distribuir entre 30% e 50% dos lucros aos acionistas. Esta quarta-feira, será anunciado o resultado de um empréstimo obrigacionista dirigido a investidores de retalho, que duplicou o montante inicial para 110 milhões de euros. Este financiamento permitirá à Mota-Engil reembolsar um empréstimo de 40,1 milhões de euros que vence no final do ano e obter recursos adicionais para apoiar o crescimento.
A carteira de encomendas da Mota-Engil ascende agora a 16,9 mil milhões de euros, um novo recorde que equivale a 3,6 anos de atividade no setor de engenharia e construção. Os mercados core representam 76% desta carteira, com uma diversificação significativa entre México, Angola, Brasil, Portugal e Nigéria. A engenharia industrial também representa 19% da carteira, com um aumento na inclusão de contratos de infraestruturas plurianuais, o que garante uma maior visibilidade do volume de negócios a longo prazo.
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Fonte: ECO





