A Ferrari apresentou recentemente o Luce, o seu primeiro automóvel totalmente elétrico, que promete alargar a base de clientes da icónica marca italiana. Com um preço a partir de 550 mil euros, as entregas estão previstas para o último trimestre deste ano. Apesar da expectativa gerada, as ações da Ferrari caíram 7,7% nas primeiras negociações em Milão, refletindo uma receção morna por parte dos investidores e críticas ao design nas redes sociais.
O Luce não é apenas um marco na eletrificação da Ferrari, mas também o primeiro modelo da marca a ter cinco lugares, quatro portas e uma bagageira com capacidade para 600 litros. Benedetto Vigna, presidente executivo da Ferrari, afirmou que o desenvolvimento do Luce foi um projeto de cinco anos, com raízes que remontam a 2009, quando a marca começou a explorar mudanças elétricas para os seus carros de Fórmula 1.
O design do Luce, que conta com a colaboração de Jony Ive, ex-responsável de design da Apple, e do coletivo LoveFrom, é descrito como “polarizador”. A Ferrari pretendeu criar um veículo que dividisse opiniões, refletindo uma abordagem inovadora que se afasta do que é convencional. O interior do carro combina botões físicos com um painel tátil, numa solução que se distingue da abordagem mais digital de marcas como a Tesla.
Com quatro motores elétricos, um para cada roda, o Luce entrega mais de 1.000 cavalos de potência e atinge uma velocidade máxima superior a 310 km/h. O seu peso ultrapassa as 2,2 toneladas, e a autonomia é de 530 quilómetros, um dado crucial para os condutores de veículos elétricos. Para responder à crítica comum sobre a falta de som nos carros elétricos, a Ferrari amplificou as vibrações naturais do sistema elétrico, mantendo a experiência sonora que caracteriza a marca.
A Ferrari está a direcionar o Luce para um público diferente, com metade dos convidados para o evento de lançamento a não serem proprietários de um Ferrari. O objetivo é atrair compradores mais jovens, numa tentativa de renovar a base de clientes, que atualmente tem uma idade média de 52 anos. O modelo também representa uma oportunidade para a Ferrari reforçar a sua presença em mercados como a China, onde a aceitação de veículos elétricos é crescente.
Benedetto Vigna garantiu que o Luce será rentável desde o seu lançamento, desafiando a ideia de que os fabricantes ocidentais não conseguem competir no mercado de elétricos. No entanto, a Ferrari também ajustou as suas metas de eletrificação, reduzindo para 20% a percentagem de carros elétricos produzidos até 2030, mantendo, contudo, o objetivo de 40% em híbridos.
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Fonte: ECO





