Acordo entre Irão e EUA sobre Ormuz ainda não está concluído

As negociações entre o Irão e os Estados Unidos para um acordo preliminar que visa desbloquear o estreito de Ormuz e prolongar o cessar-fogo bilateral ainda não estão concluídas. A informação foi avançada pela agência de notícias Tasnim, próxima da Guarda Revolucionária iraniana, que desmentiu relatos de media norte-americanos que afirmavam que um entendimento já tinha sido alcançado.

Uma fonte ligada à equipa de negociação da República Islâmica esclareceu que as alegações sobre a finalização do acordo são “inverídicas”. Esta fonte assegurou que, assim que o acordo estiver finalizado, os negociadores iranianos informarão o mediador e a população. “Até lá, quaisquer alegações de fontes ocidentais sobre a finalização do acordo são inválidas”, enfatizou.

Nos últimos dias, as negociações entre os dois países, mediadas pelo Paquistão, intensificaram-se, na tentativa de pôr fim à guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro. O portal norte-americano Axios noticiou que os dois países chegaram a um entendimento que permitiria desbloquear o estreito de Ormuz e prolongar o cessar-fogo por 60 dias, mas que ainda aguarda a aprovação do Presidente dos EUA.

Durante este período de 60 dias, os beligerantes iniciariam conversações sobre o programa nuclear iraniano. O Axios também referiu que o Irão não irá impor portagens no estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo, enquanto os Estados Unidos se comprometeriam a levantar o bloqueio marítimo sobre os navios que partem e chegam a portos iranianos. Este levantamento seria proporcional ao reinício do tráfego comercial na região.

Além disso, o Irão teria de remover todas as minas do estreito num prazo de 30 dias. Os detalhes do acordo preliminar discutidos pelo portal são semelhantes aos que foram mencionados pela televisão estatal iraniana, que foram rapidamente desmentidos pela Casa Branca, sendo considerados “pura invenção”.

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O memorando de entendimento também incluiria o compromisso do Irão de não desenvolver armas nucleares, embora as negociações sobre o enriquecimento de urânio sejam adiadas para uma fase posterior. Durante o prolongamento do cessar-fogo, as partes discutiriam a eliminação do urânio altamente enriquecido e as condições para limitar o enriquecimento iraniano.

Os Estados Unidos também se comprometeriam a discutir o levantamento das sanções ao Irão e a libertação de fundos iranianos congelados. Entre as isenções a sanções, destaca-se a possibilidade de o Irão vender petróleo livremente. O acordo também prevê a criação de um mecanismo para facilitar a recepção de mercadorias e ajuda humanitária pelo Irão.

Por fim, o acordo estipularia o fim da guerra entre Israel e o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão. Desde o fim de semana passado, a Casa Branca tem afirmado que o acordo está prestes a ser concluído, embora Teerão tenha minimizado as expectativas sobre a sua iminência. A possibilidade de deixar a questão nuclear para uma fase posterior gerou críticas entre senadores republicanos aliados de Trump, que contestam as concessões feitas pelos Estados Unidos.

Leia também: A importância do estreito de Ormuz para a economia global.

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Fonte: Sapo

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