40% dos portugueses insatisfeitos com seguro da casa

Um estudo recente da Mudey, apresentado em Lisboa, revela que 40% dos portugueses que possuem um seguro multirriscos para a habitação estão insatisfeitos com o produto. O “Barómetro Seguro Multirriscos Habitação 2026” destaca a falta de conhecimento dos consumidores sobre o seguro da casa, um tema que se torna ainda mais relevante no contexto atual, marcado pelo debate sobre riscos sísmicos e as consequências das recentes tempestades.

Os dados indicam que a satisfação média dos inquiridos é de apenas 6,9 numa escala de 0 a 10. Os principais motivos para este descontentamento incluem o preço, o canal de contratação e a razão pela qual a apólice foi subscrita. O estudo, que envolveu 375 respostas válidas entre março e abril de 2026, revela que 26% dos portugueses consideram o seguro da casa caro, enquanto 20% não têm ideia do valor que pagam mensalmente. Apesar de 54% o classificarem como justo, a percepção de custo afeta a avaliação global do produto.

A forma como os consumidores chegam ao seguro também influencia a satisfação. Entre os proprietários com crédito à habitação, 60% contrataram o seguro por exigência do banco. Por outro lado, 80% dos que já liquidaram o empréstimo mantêm a apólice para proteger o seu património. Esta diferença de motivações reflete-se nas notas de satisfação: quem escolheu o seguro de forma voluntária atribui uma média de 7,2, enquanto aqueles que o fizeram por imposição bancária dão uma nota de 6,6, e os que o contrataram por obrigação legal apenas 6,2.

Ana Teixeira, cofundadora e CEO da Mudey, explica que a obrigação pode criar um hábito, mas este hábito nem sempre revela o verdadeiro valor do seguro. Quando os consumidores têm um papel ativo na escolha, comparação de ofertas e definição de coberturas, os níveis de satisfação aumentam. Em contraste, quando o seguro é visto apenas como uma imposição, a percepção tende a ser negativa.

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O estudo também destaca uma lacuna significativa em termos de literacia sobre seguros. Embora 38% dos inquiridos considerem ter um conhecimento elevado sobre o multirriscos, na realidade, acertaram apenas 1,8 de quatro perguntas sobre o funcionamento e a obrigatoriedade das coberturas. O desconhecimento é particularmente notável em relação a proteções específicas: 21% não sabiam se tinham cobertura para fenómenos sísmicos e 25% desconheciam se estavam protegidos contra tempestades.

Ana Teixeira sublinha que é fundamental que o setor segurador trabalhe para garantir que os consumidores compreendam o valor real da proteção contratada. “Uma maior compreensão leva a uma maior valorização do seguro e a níveis de satisfação superiores”, afirma.

As tempestades ocorridas no início do ano reacenderam o debate sobre a adequação das apólices em Portugal, levando a Mudey a avaliar o conhecimento e a satisfação dos consumidores. Fundada em 2020, a Mudey é a primeira insurtech a operar como mediador de seguros 100% digital em Portugal, com mais de 60 mil utilizadores. A plataforma permite pesquisar, comparar e gerir produtos de mais de 20 seguradoras num único local.

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Fonte: Sapo

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