Greve geral em Portugal: CGTP e Governo divergem sobre adesão

A greve geral que ocorreu esta quarta-feira em Portugal gerou uma forte divergência entre a CGTP e o Governo quanto à sua adesão. A central sindical, liderada por Tiago Oliveira, enviou um documento aos jornalistas com 55 páginas, destacando várias empresas paradas e altos níveis de adesão à paralisação. Oliveira afirmou que a greve teve uma “dimensão muito idêntica à de 11 de dezembro”, referindo-se à primeira grande manifestação contra a reforma da lei do trabalho.

Por outro lado, o Governo, através da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, garantiu que a adesão foi “residual”, especialmente no setor privado. Durante uma conferência de imprensa, a ministra destacou que a maioria dos trabalhadores estava a cumprir as suas funções normalmente.

Entre as empresas que pararam, a CGTP mencionou a Bosch em Braga, a Bimbo e a Knorr, além de várias escolas e câmaras municipais. O Metro de Lisboa também esteve paralisado, enquanto a CP reduziu as suas viagens ao essencial. No setor da saúde, hospitais como a CUF Sintra e o Hospital da Luz registaram “impactos significativos”.

A ministra do Trabalho, no entanto, contradisse essas afirmações, afirmando que, no setor privado, a adesão foi quase nula. Ela mencionou que, na indústria, nenhuma fábrica parou e que a hotelaria e as agências de viagens não registaram adesão. Na banca, todas as agências da Caixa Geral de Depósitos e dos principais bancos privados mantiveram-se abertas.

Apesar da CGTP relatar uma adesão significativa no setor público, a ministra reconheceu que apenas 23% dos funcionários públicos estiveram ausentes, incluindo aqueles que trabalharam remotamente. Os setores com maior adesão foram a educação, a saúde e os transportes. Por exemplo, apenas 48% dos alunos realizaram a prova de português devido ao encerramento de escolas.

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A ministra também destacou que, no setor energético, a EDP reportou uma adesão de apenas 3%. Apesar das divergências, o dia de atividade económica foi considerado normal, com os consumos de energia e gás a não apresentarem alterações significativas.

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) também se pronunciou, afirmando que a adesão à greve foi inferior à da paralisação de dezembro, que já tinha sido considerada baixa. Os setores como a indústria química, metalomecânica e farmacêutica praticamente não registaram adesões.

Em meio a este cenário, o Governo reafirmou a sua intenção de prosseguir com a reforma da lei do trabalho, que está atualmente em discussão na Assembleia da República. A falta de uma maioria absoluta poderá complicar a aprovação da reforma, com o Chega a ser apontado como um potencial aliado, embora já tenha expressado críticas ao pacote proposto.

Leia também: O impacto das greves na economia portuguesa.

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Fonte: ECO

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