Advogada chinesa assume liderança da JALP para jovens advogados

Un I Wong, uma advogada chinesa de Macau, foi eleita a nova presidente da Associação Internacional de Jovens Advogados de Língua Portuguesa (JALP) até 2028. Em declarações à Lusa, Un enfatizou a responsabilidade dos profissionais jurídicos em “construir pontes entre culturas e sistemas jurídicos distintos”, especialmente num contexto global marcado por desafios geopolíticos.

Formada na Universidade Católica Portuguesa, Un tem uma vasta experiência em Portugal, onde começou a sua carreira na sociedade Morais Leitão. Durante esse período, foi a única advogada de origem chinesa na equipa. Posteriormente, integrou a MdME, uma sociedade com presença em Macau, Hong Kong e Lisboa, e teve uma experiência em Pequim. Essas vivências ajudaram-na a compreender as diferentes abordagens à profissão jurídica.

Na China, a cultura profissional é caracterizada pela rapidez e proatividade, com Un a brincar que o modelo “007” prevalece, onde os advogados estão disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Em contraste, em Portugal, há uma maior valorização do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, o que enriquece o debate jurídico e a construção argumentativa.

Macau, segundo Un, apresenta uma posição única, combinando a matriz jurídica portuguesa com um ambiente de trabalho mais alinhado ao modelo português, mas beneficiando da dinâmica económica da Ásia. Esta experiência internacional reforçou a sua crença de que não existe um único modelo de sucesso na advocacia. Os melhores profissionais são aqueles que conseguem integrar diferentes formas de pensar e trabalhar, navegando entre culturas e sistemas jurídicos.

Un I Wong acredita que a advocacia do futuro deve ultrapassar as fronteiras nacionais. “Os advogados desempenham um papel crucial na construção de pontes entre culturas, economias e sistemas jurídicos”, afirmou. Ela destacou que os jovens advogados lusófonos têm uma “vantagem única” por pertencerem a uma comunidade diversificada que se estende por vários continentes.

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A JALP, fundada em 2020, é uma associação sem fins lucrativos que visa apoiar e representar jovens advogados dos países de língua portuguesa, contando atualmente com mais de 300 associados. Os novos órgãos sociais para o triénio 2026-2028 incluem representantes de Angola, Brasil, Macau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste, com Un a presidir e Pedro Leão Trigo e Lukeno Ribeiro Alkatiri como vice-presidentes.

Entre as prioridades de Un está o fortalecimento da JALP como uma plataforma ativa de ligação entre jovens advogados lusófonos e a promoção da partilha de conhecimento e boas práticas. A nova presidente também pretende preparar os jovens advogados para a transformação da profissão, impulsionada pela tecnologia e novas exigências dos clientes.

Apesar dos desafios, Un sublinhou que existem hoje mais oportunidades de colaboração internacional e acesso ao conhecimento. A JALP planeia estabelecer parcerias com universidades, ordens de advogados e organizações internacionais, além de dialogar com entidades do ecossistema de tecnologia legal.

“Estamos comprometidos em reforçar a proximidade entre os jovens advogados lusófonos, promover a inovação na profissão jurídica e construir uma comunidade jurídica mais internacional e colaborativa”, concluiu Un I Wong.

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Fonte: Sapo

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